A Disney discute internamente lançar uma camada gratuita do Disney+, com apenas parte do catálogo liberada e forte apoio em anúncios, numa tentativa direta de reagir ao avanço do YouTube.
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Na mesa hoje está um Disney+ gratuito e limitado: segundo executivos citados em reuniões internas, a empresa avalia abrir só alguns filmes, séries e documentários, mantendo o catálogo completo preso aos planos pagos atuais — que seguem como única oferta oficial, inclusive no Brasil, com mensalidades de R$ 29,90 (com anúncios), R$ 49,90 (padrão) e até R$ 69,90 no pacote Premium com ESPN.
O que é esse plano gratuito do Disney+ e o que ele liberaria?
A discussão sobre o plano gratuito apareceu numa reunião da divisão de streaming, em fala atribuída a Adam Smith, chefe de Produto e Tecnologia da Disney. A proposta colocada foi direta: criar uma "camada gratuita" dentro do Disney+ que permita assistir a parte do acervo sem assinatura. Não se trata de abrir tudo, nem de transformar o serviço em catálogo completo liberado sem pagar.
Até agora, não existe lista de títulos nem critério fechado para o que entraria nesse pacote. As fontes ligadas à estratégia falam em "alguns conteúdos"; na prática, quem quiser acesso total às franquias grandes — Star Wars, Marvel, Pixar, ESPN e afins — continua dependente dos planos pagos. Também não há qualquer cronograma público: nenhuma data de teste, nenhum conjunto de mercados-alvo definido para a largada. A discussão está no campo de estudo interno, não de anúncio oficial.
Hoje o Disney+ já opera com camadas com e sem anúncios em vários países, inclusive o Brasil, mas todas são pagas. A versão gratuita seria um degrau abaixo disso, pensada como vitrine: o usuário entra pelo grátis, testa o app, se acostuma com a interface e, se a estratégia da Disney funcionar, migra depois para um plano pago.
Por que a Disney cogita liberar parte do Disney+ de graça agora?
O gatilho está nas telas: YouTube e outros serviços financiados por publicidade ocupam cada vez mais o tempo que antes ficava com os streamings por assinatura. Dados da Nielsen apontam que plataformas gratuitas como YouTube, Tubi e The Roku Channel responderam por 18,7% do tempo de exibição nas TVs conectadas nos EUA em abril, acima dos 16,8% do mesmo período de 2025. Em dois anos, o avanço foi de 12,7% para esses 18,7%.
No mesmo intervalo, o preço das assinaturas sob demanda sobe em cascata, e uma parte do público simplesmente parou de pagar por todos os serviços que usava. O Disney+ aparece nesse cenário como alvo direto dessa fadiga: relatórios recentes citam a plataforma entre os streamings mais caros no Brasil, com pacote Premium chegando a R$ 69,90 mensais no modelo com ESPN. Neste contexto, uma opção gratuita funciona como porta de entrada para quem já não aceita mais abrir a carteira só para testar serviço novo ou manter mais um débito recorrente no fim do mês.
Há também o ângulo de posicionamento. Rivais como Apple TV+ e Paramount+ liberam episódios de estreia de séries para não assinantes de tempos em tempos, mas não mantêm um catálogo fixo aberto que incentive retorno frequente. Se a Disney realmente criar uma biblioteca gratuita, mesmo que pequena, passa a atuar de forma simultânea em duas frentes: a do streaming por assinatura e a do vídeo financiado por publicidade, brigando mais diretamente com o YouTube pelo hábito diário de consumo.
Como isso afetaria anúncios, app e os planos já pagos?
Um plano grátis no Disney+ viria com custo claro para a experiência de quem assiste. A empresa já trabalha com camadas pagas com anúncios em vários mercados, e o serviço acumula críticas pela quantidade de interrupções, muitas delas sem botão de pular. Se esse mesmo modelo for transportado 1:1 para a versão gratuita, o resultado tende a ser um feed tomado por publicidade, o oposto do que seduz quem hoje se acostumou com a fluidez do YouTube.
Por isso, a discussão interna não gira só em torno de preço, mas também de formato. A Disney começou a testar dentro do app vídeos curtos em formato vertical, microdramas e podcasts em vídeo, espelhando a lógica de scroll infinito que segura usuários em redes sociais. A camada gratuita entra nesse desenho como laboratório: conteúdo leve, rápido, com alta densidade de anúncios, estruturado para consumo em tela de celular e sessões fragmentadas ao longo do dia.

Para quem já paga, a expectativa mais forte é de manutenção da estrutura atual no curto prazo: os planos seguem com catálogo completo, 4K e ESPN atrelados ao ticket médio mais alto. Se a camada grátis avançar, ela tende a ficar demarcada como vitrine, com catálogo enxuto e, no máximo, algum rodízio de produções mais antigas e episódios iniciais de séries grandes para fisgar curiosos. O ponto ainda em aberto que pesa para o Brasil é o desenho de lançamento: se essa novidade entra ou não na primeira leva por aqui e de que forma a Disney equilibraria a oferta gratuita com um serviço que hoje já opera no topo da faixa de preço do mercado local.
Oficialmente, a Disney não confirma se o plano gratuito do Disney+ sai do papel nem dá prazo; por enquanto, a mova está em estudo dentro de um cenário em que o YouTube já concentra quase um quinto do tempo de TV nos EUA.



