O Gemini Notebook, app de estudo com IA do Google que até julho se chamava NotebookLM, passou a ter um gravador de áudio integrado no Android e no iPhone. Ele grava até 1 hora por vez, transcreve a fala e guarda o texto como fonte para a IA consultar.

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Neste artigo
  1. Como gravar no Gemini Notebook: microfone na tela inicial e tela bloqueada
  2. O Google guarda só a transcrição, não o áudio
  3. Gravador não aparece? Foi anunciado em setembro e liberado seis semanas depois
  4. Gemini Notebook é grátis? 50 fontes por notebook e um ano de plano para universitários
  5. Gemini Notebook no PC e outras lacunas sobre o gravador

Para quem estuda ou passa o dia em reunião, o recurso elimina uma etapa: até agora era preciso gravar em outro aplicativo e depois subir o arquivo. O app está em português na App Store e no Google Play, é gratuito e tem plano sem custo. O detalhe que pesa na decisão de usar é outro: o Google guarda só a transcrição, e o áudio original é descartado.

A liberação ampla começou em 27 de outubro, segundo o 9to5Google, que viu o recurso chegar nas duas plataformas. O anúncio oficial, porém, é de 15 de setembro, e o atraso explica por que muita gente ainda não encontra o botão.

Como gravar no Gemini Notebook: microfone na tela inicial e tela bloqueada

O gravador aparece como um ícone de microfone na parte de baixo da tela, entre o botão da câmera e o botão flutuante "Criar novo". O ponto de partida muda o destino da gravação. Tocado na tela inicial, o microfone cria um notebook novo a partir do áudio. Tocado dentro da aba Fontes de um notebook que já existe, ele adiciona a transcrição àquele material, ao lado de PDFs, links e anotações.

A interface é enxuta: uma forma de onda com as cores do app, um contador ao vivo, o botão de pausa e um botão de confirmar, que encerra a captura e começa o envio. A central de ajuda do Google também lista a opção de excluir a gravação em andamento.

A gravação continua com o aplicativo em segundo plano ou com o celular bloqueado, desde que não tenha sido pausada ou parada. Isso cobre a aula de 50 minutos com o telefone sobre a mesa. Acima de 60 minutos, porém, o limite corta a captura, e uma reunião longa ou uma palestra de duas horas vai exigir mais de uma gravação.

Com o texto salvo como fonte, o uso segue a lógica do resto do app: pedir um resumo, perguntar em que momento um assunto foi citado, listar as decisões de uma reunião ou pedir que um conceito da aula seja explicado de outro jeito. "Suas anotações ficam ao lado das suas fontes, para você conversar, citar e construir a partir delas a qualquer momento, enquanto continua editando", escreveu a empresa no anúncio de setembro.

O Google guarda só a transcrição, não o áudio

Gravador do Gemini Notebook em andamento, com forma de onda colorida, contador de tempo, botões de pausa e confirmar e o aviso de limite de 1 hora
Reprodução/9to5Google (Imagem: reprodução)

A frase está na central de ajuda do Gemini Notebook: "O Gemini Notebook só armazena as transcrições como fontes, não a gravação de voz original". Do ponto de vista de privacidade, é uma boa notícia, já que não fica uma hora de voz de professores e colegas nos servidores do Google. O custo é outro: se a transcrição sair ruim, com nome trocado ou trecho perdido por causa do barulho da sala, não sobra áudio para ouvir de novo nem para processar outra vez.

A mesma página pede cuidado com terceiros: "Respeite a privacidade das outras pessoas e peça permissão antes de gravar".

A importação de áudio continua disponível para quem já tem a gravação pronta. O app aceita MP3, WAV, M4A, OGG, OPUS, AAC, AMR e outros formatos, faz a transcrição no momento do envio e recusa arquivos sem fala. O português está na lista de idiomas aceitos na importação, e o Google avisa que áudio de baixa qualidade pode falhar. A página não detalha os idiomas da gravação feita ao vivo pelo microfone. No anúncio de setembro, o recurso de anotações ao lado das fontes veio com uma nota de rodapé que o restringe a quem usa o inglês como idioma de saída, sem deixar claro se a limitação atinge o gravador.

Gravador não aparece? Foi anunciado em setembro e liberado seis semanas depois

O gravador fez parte de um pacote voltado a estudantes publicado no blog do Google em 15 de setembro, assinado por Trond Wuellner, diretor de gestão de produto do Gemini Notebook. O texto dizia: "A partir da próxima semana, você pode usar o novo gravador de áudio no app para capturar aulas e registrar suas ideias em qualquer lugar". A chegada para a maioria dos usuários só veio em 27 de outubro, cerca de seis semanas depois. Para quem ainda não vê o microfone, o 9to5Google recomenda forçar a parada do app e abri-lo de novo.

O mesmo anúncio trouxe conversa por voz em tempo real com o notebook em quase 100 idiomas, liberada primeiro para assinantes do Google AI Ultra maiores de 18 anos, e vídeos de cerca de 60 segundos em mais de 80 idiomas.

Nesta semana, tocar em "Criar novo" também passou a abrir um notebook na hora, em vez do painel de adicionar fonte.

Tela do Gemini Notebook no Android mostrando a gravação sendo enviada como fonte do caderno, com os botões de câmera, microfone e adicionar fonte
Reprodução/9to5Google (Imagem: reprodução)

Gemini Notebook é grátis? 50 fontes por notebook e um ano de plano para universitários

O app é gratuito para baixar, e nenhuma fonte indica que o gravador exija assinatura. O plano sem custo permite até 50 fontes por notebook, e cada fonte pode ter até 500 mil palavras ou 200 MB. A cota de uso da IA renova a cada cinco horas, até um teto semanal. Os planos pagos ampliam essa cota: o Google AI Plus dobra os limites, o AI Pro multiplica por quatro e o AI Ultra vai além.

Para universitários, o Google oferece um ano de plano sem pagar. Nos Estados Unidos, o prêmio é o AI Pro, avaliado em US$ 19,99 por mês. Em mais de 140 mercados onde o AI Plus é vendido, o estudante elegível ganha um ano do AI Plus, com o dobro dos limites no Gemini Notebook. As notas do anúncio excluem Estados Unidos, Bolívia, Albânia, Canadá, Macau, Hong Kong e Tunísia. O Brasil não aparece na lista de exceções, mas o Google também não o cita nominalmente, e a elegibilidade precisa ser conferida na página da oferta. O resgate vai até 31 de dezembro de 2026 e exige cadastrar uma forma de pagamento. Sem cancelamento, o plano passa a ser cobrado ao fim do período gratuito: US$ 4,99 por mês no AI Plus "ou o equivalente em moeda local". O Google não informa o valor em reais no anúncio.

Gemini Notebook no PC e outras lacunas sobre o gravador

No computador, o Gemini Notebook funciona pelo navegador, em notebook.google.com, sem instalar programa no Windows. O anúncio e a central de ajuda só descrevem o gravador no app para celular; se a versão web terá captura pelo microfone, o Google não diz. Arquivos de áudio gravados em outro lugar podem ser enviados.

O Google também não disse se cada gravação consome a cota de IA do plano gratuito, nem qual versão mínima do app é necessária, nem quão bem a transcrição ao vivo lida com português falado em sala barulhenta. A única data fixa no calendário é a da oferta para estudantes, que termina em 31 de dezembro.