A Apple colocou tela touch no Mac pela primeira vez. O novo MacBook Pro com tela PROLED XDR, anunciado na quarta-feira (28) em Los Angeles, roda o macOS 27, que converte cada toque em clique, e chega ao Brasil a partir de R$ 34.999, R$ 4.000 acima do modelo equivalente sem toque.
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- Como funciona a tela touch do MacBook Pro no macOS 27
- Toque vira clique: o que funciona nos apps e onde ainda trava
- O que a tela touch não faz: sem Apple Pencil e sem modo tablet
- A tela touch é necessária? O toque é o item menos importante do pacote
- Preço do MacBook Pro com tela touch no Brasil e data de entrega
A mudança contraria mais de uma década de discurso da empresa. Steve Jobs chamou a ideia de um Mac com tela de toque de "ergonomicamente terrível", lembra o TechCrunch, e a única experiência de toque nos notebooks da marca, a Touch Bar de 2016, acabou removida. Para quem pensa em comprar, a dúvida é prática: o Mac virou iPad e o toque justifica o preço? Pelo que a Apple divulgou e pelo que mostraram os primeiros testes, não virou, e o toque é a parte menos decisiva do pacote.
Como funciona a tela touch do MacBook Pro no macOS 27
O sistema continua sendo o macOS, com teclado e trackpad no lugar de sempre. "Eles rodam macOS, não iPadOS nem iOS", resumiu a CNBC em seu teste prático. O toque funciona em conjunto com os atalhos de teclado e os gestos do trackpad, segundo a Apple, e não substitui nenhum dos dois.
Os gestos descritos no comunicado oficial são os do celular trazidos para a mesa: deslizar o dedo para rolar a página, pinçar para dar zoom numa foto, arrastar slides de uma apresentação para outra, tocar duas vezes numa janela para que ela ocupe a tela inteira e arrastá-la com um movimento rápido para encaixá-la em mosaico. A Apple afirma que o sensor de toque é integrado ao painel, e não sobreposto a ele, o que reduziria a latência. É uma alegação da Apple; ninguém mediu isso de forma independente até agora.
Duas mudanças de hardware acompanham o recurso. A dobradiça é nova e, segundo a Apple, deixa a tela mais firme quando tocada. A câmera ganhou estabilização de vídeo que suaviza a imagem em chamadas quando a pessoa encosta na tela. A CNBC, porém, achou que a dobradiça "parece em grande parte igual" à anterior.
Toque vira clique: o que funciona nos apps e onde ainda trava

A compatibilidade vem de um atalho técnico: o macOS traduz cada toque num clique de mouse. Na prática, qualquer aplicativo que aceita clique aceita o dedo desde o primeiro dia. O problema é o tamanho. Botões e menus foram desenhados para a ponta precisa de um cursor, e o AppleInsider observa que a conversão garante o funcionamento básico, mas não torna a interface de cada app mais fácil de usar com o dedo.
A Apple fez ajustes pontuais. Os botões vermelho, amarelo e verde no canto das janelas crescem quando tocados, como mostraram os testes do The Verge e da CNBC. Um vídeo publicado pelo analista Neil Cybart mostra os botões reagindo com um leve atraso. As versões de teste do macOS 27.2 trazem mais adaptações, como abas do Safari que aumentam ao serem arrastadas e um menu de contexto para toque, mas não há confirmação de quais estarão nas máquinas entregues em 6 de novembro.
Para ir além do clique, os desenvolvedores precisam adotar as novas APIs de gestos. Os apps da própria Apple saem na frente: o Logic Pro terá teclado de software polifônico multitoque e pads de instrumentos na tela, o Final Cut Pro permitirá mover clipes e pinçar para dar zoom num corte, e o Pixelmator Pro aceitará desenho e pintura direto no display. A empresa lista ainda Notion, Canva, Zoom, Word, Excel, Lightroom, DaVinci Resolve e Blender entre os programas que vão aproveitar o toque.
O que a tela touch não faz: sem Apple Pencil e sem modo tablet
A ausência mais sentida é a da caneta. "Achei o suporte à tela de toque bem fluido, embora não exista suporte à Apple Pencil", escreveu o Tom's Guide após testar a máquina. O comunicado da Apple não menciona a Pencil. Isso pesa justamente no caso de uso que a empresa mais destaca, o de designers que agora podem desenhar na tela inteira em vez de ficarem presos à área do trackpad: desenhar com o dedo funciona, mas não tem a precisão nem a sensibilidade à pressão de uma caneta. O comentário mais curtido sob a matéria do 9to5Mac foi nessa linha: "Qual é o sentido? Se suportasse a Apple Pencil, eu entenderia o apelo."
A Apple também não fala em modo tablet nem em tela que gira, e a interface não adotou o layout do iPad. Segundo o 9to5Mac, o modelo mantém o Touch ID, sem Face ID, e não tem versão com conexão celular. A ilha dinâmica substitui o entalhe da câmera e aceita toque para aceitar um AirDrop ou pausar uma música.
A tela touch é necessária? O toque é o item menos importante do pacote
A CNBC foi direta: "Você não precisa usar. O toque é totalmente opcional." E completou: "Usar o notebook com o dedo é agradável, mas isso não vai mudar a forma como a maioria das pessoas usa seus notebooks." O hands-on do Tom's Guide mostra onde o recurso rende de fato: tocar piano virtual, girar um modelo 3D, arrastar clipes numa linha do tempo e desenhar com o dedo. Quem desenvolve apps de iPhone e iPad ganha um jeito de testar o toque no Mac. Para quem passa o dia em texto, planilha e código, teclado e trackpad continuam mais rápidos.
Não dá para comprar só o toque. Ele vem amarrado à tela OLED de camada dupla, à ilha dinâmica e a um chassi mais leve, e é aí que está a maior parte do que se paga a mais. Os chips são os mesmos M5 Pro e M5 Max dos modelos lançados em março, que continuam à venda; segundo o 9to5Mac, quem fica com a geração anterior perde a tela OLED, o logotipo iluminado e o corpo mais fino e leve, com desempenho praticamente igual.

| Item | MacBook Pro com tela PROLED XDR |
|---|---|
| Tela | OLED de camada dupla, 14,2" (3024 x 1986) ou 16,3" (3472 x 2266), multitoque |
| Brilho e contraste | Até 2.000 nits (HDR e SDR); contraste de 10.000.000:1 (dados da Apple) |
| Taxa de atualização | 10 a 120 Hz (ProMotion) |
| Chips | M5 Pro (CPU de 15 ou 18 núcleos) ou M5 Max (18 núcleos, GPU de 32 ou 40) |
| Memória e armazenamento | 24 GB a 128 GB; SSD de 1 TB a 16 TB |
| Conexões | 3 Thunderbolt 5, HDMI, SDXC, MagSafe, fone de ouvido; Wi-Fi 7 e Bluetooth 6 |
| Monitores externos | Até 3 (M5 Pro) ou 4 (M5 Max) |
| Bateria | Até 24 horas; 50% em 30 minutos (dados da Apple) |
| Peso | 1,38 kg (14") e 1,82 kg (16") |
O brilho máximo em HDR passou de 1.600 para 2.000 nits, segundo o 9to5Mac. O peso caiu de cerca de 1,59 kg para 1,38 kg no modelo de 14 polegadas e de 2,13 kg para 1,82 kg no de 16, de acordo com o mesmo site (valores convertidos de libras). A autonomia de 24 horas é alegação da Apple, e ainda não há medição independente do efeito do toque e do OLED sobre a bateria.
Preço do MacBook Pro com tela touch no Brasil e data de entrega
A pré-venda começou em 28 de outubro na loja on-line da Apple e no app Apple Store, e as entregas e vendas em lojas e revendas autorizadas começam na sexta-feira, 6 de novembro. O modelo de 14 polegadas com M5 Pro custa a partir de R$ 34.999, e o de 16 polegadas, R$ 41.999. Com M5 Max, os preços partem de R$ 53.999 e R$ 57.999.
Na loja brasileira da Apple, consultada nesta quinta-feira (29), o MacBook Pro sem toque com M5 Pro segue a partir de R$ 30.999 (14") e R$ 37.999 (16"), e com M5 Max, a partir de R$ 49.999 (14"). A diferença é de R$ 4.000 em todas essas comparações. Quem não faz questão de tela OLED tem ainda o MacBook Pro de 14 polegadas com chip M6, sem toque, anunciado na véspera, a partir de R$ 24.999.
Na prática, os R$ 4.000 compram uma tela melhor e um notebook mais leve, com o toque de bônus. A próxima data é 6 de novembro, quando as primeiras unidades chegam aos compradores e a resposta do toque poderá ser avaliada fora das demonstrações da Apple.




