A Apple anunciou nesta quarta-feira (28) o MacBook Pro com Tela PROLED XDR, em 14 e 16 polegadas. É o primeiro MacBook Pro com tela OLED e o primeiro Mac da história com tela touch, sensível ao toque. No Brasil, a pré-venda já está aberta e o preço começa em R$ 34.999.

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Neste artigo
  1. Como funciona a tela touch do MacBook Pro
  2. Ficha técnica do MacBook Pro OLED: 2.000 nits e até 24 horas de bateria
  3. Diferença para o MacBook Pro comum e para o MacBook Pro M6
  4. Preço do MacBook Pro com tela touch no Brasil e data de entrega

Durante mais de uma década, a empresa recusou a ideia. Steve Jobs e depois Tim Cook descartaram publicamente o Mac com toque, enquanto notebooks com Windows adotavam a tela touch havia anos. A virada foi apresentada no evento "Pro and Tell", em Los Angeles, já sob o comando do CEO John Ternus. Ela vale só para esta linha nova, que tem os mesmos chips M5 Pro e M5 Max do MacBook Pro de março. O desempenho, portanto, é igual: quem pagar a diferença leva tela, toque, Dynamic Island e um corpo mais leve. As entregas começam em 6 de novembro.

Como funciona a tela touch do MacBook Pro

O sensor de toque fica embutido no próprio painel, e não numa camada sobreposta. Segundo a Apple, isso reduz a latência "para que os usuários sintam que estão tocando no conteúdo". Os gestos anunciados são os do iPhone e do iPad levados à mesa: deslizar para rolar a página, pinça para ampliar uma foto, arrastar slides de uma apresentação para outra, toque duplo para pôr a janela em tela cheia e arrastar para organizá-la em mosaico.

O toque convive com o teclado e o trackpad, que continuam lá. O macOS 27 "Golden Gate" traduz toques em cliques automaticamente, e por isso muitos apps já aceitam o dedo sem atualização. Há também novas APIs de gestos para desenvolvedores. A Apple lista Notion, Canva, Zoom, Word, Excel, PowerPoint, Outlook, Lightroom, DaVinci Resolve, Blender, Cinema 4D, ZBrush, Shapr3D e djay Pro 4 entre os apps de terceiros que vão usar o recurso.

O ganho mais concreto aparece nos apps da própria Apple incluídos no Creator Studio. No Pixelmator Pro, dá para desenhar, pintar e selecionar direto na tela, sem ficar preso à área do trackpad. O Logic Pro ganha um teclado Multi-Touch polifônico, além de pads de acordes e bateria. No Final Cut Pro, o editor marca trechos, solta clipes na linha do tempo e dá zoom no corte com pinça. Desenvolvedores também podem testar apps de iPhone e iPad direto na tela do notebook.

A leitura crítica veio do The Verge: a Apple "não está com pressa de mudar um monte de coisas no macOS" para o toque, que deve funcionar como um mecanismo secundário de entrada, sem mudar o jeito de usar o sistema inteiro. Na prática, quem só navega e edita documentos vai sentir pouca diferença. O público que mais ganha é o de criação. Nem todo fã da marca gostou. "Toque num MacBook é muito idiota. Ninguém quer isso. O Steve tinha razão", escreveu um leitor do MacRumors.

Para aguentar o dedo na tela, a Apple refez a dobradiça, que ficou mais firme. A câmera Center Stage de 12 MP ganhou estabilização avançada, que suaviza a imagem quando o usuário toca na tela durante uma videochamada. O entalhe saiu e deu lugar à Dynamic Island, como no iPhone: ali ficam Spotlight, Atividades ao Vivo, Siri AI e controles de música, e um toque basta para aceitar um AirDrop ou pausar uma faixa.

Ficha técnica do MacBook Pro OLED: 2.000 nits e até 24 horas de bateria

MacBook Pro com tela PROLED XDR exibindo o Pixelmator Pro com edição por toque
Divulgação/Apple (Imagem: reprodução)

A tela PROLED XDR usa OLED em camada dupla (tandem), com duas camadas de pixels que emitem luz. O pico de brilho é de 2.000 nits em HDR e também em SDR, contra 1.600 nits de pico do MacBook Pro com mini-LED. O contraste é de 10.000.000:1 e a cobertura de cores vai além do P3, com Adobe RGB e mais de 80% do espaço Rec. 2020. A tela vem calibrada de fábrica e traz modos de referência para cinema, fotografia, impressão e design, além de modos DICOM para analisar imagens médicas em ensino e pesquisa (não para diagnóstico). A opção nano-texture, que reduz reflexos, agora é gravada no próprio vidro.

ItemMacBook Pro 14" PROLED XDRMacBook Pro 16" PROLED XDR
Tela14,2", OLED tandem, toque16,3", OLED tandem, toque
Brilho e contraste2.000 nits de pico (HDR e SDR), 1.000 nits em tela cheia, 10.000.000:1, ProMotion de 10 a 120 Hz
ChipsM5 Pro ou M5 Max (os mesmos do MacBook Pro de março)
Memória unificadaM5 Pro: 24, 48 ou 64 GB · M5 Max: 36, 48, 64 ou 128 GB
Armazenamentoaté 16 TB (antes o limite era 8 TB)
Bateria72,6 Wh; até 22 h (M5 Pro) ou 20 h (M5 Max)100 Wh; até 24 h (M5 Pro) ou 22 h (M5 Max)
Peso1,38 kg1,82 kg
Espessura15 mm (0,5 mm mais fino)16 mm (quase 1 mm mais fino)
Portas3x Thunderbolt 5, HDMI, leitor SDXC, MagSafe, fone de ouvido
Monitores externosaté 3 (M5 Pro) ou até 4 (M5 Max), além da tela do notebook
Conexões sem fioWi-Fi 7 e Bluetooth 6 (chip N1)
Câmera e somCenter Stage de 12 MP · seis alto-falantes, woofer com graves 50% mais profundos
Corespreto-espacial e prateado

É a primeira reformulação de design do MacBook Pro desde 2021. O modelo de 14 polegadas perdeu cerca de 230 gramas e o de 16, cerca de 320 gramas, segundo as medidas em libras divulgadas pela Apple. Com bordas mais finas, a tela maior passou de 16,2 para 16,3 polegadas. O logotipo da maçã volta a acender na tampa. A recarga rápida leva a bateria a 50% em 30 minutos, e o genlock, usado para sincronizar a tela com câmeras em produções de vídeo, agora também funciona pelas portas Thunderbolt 5. O som ganhou um ajuste específico para uso com a tampa fechada e o notebook ligado a um monitor externo.

"O novo MacBook Pro com Tela PROLED XDR é um avanço monumental para o Mac", afirmou Johny Srouji, chefe de hardware da Apple, no comunicado oficial. "PROLED XDR é a melhor tela de notebook do mundo." O título ainda depende de testes independentes, que não saíram.

Diferença para o MacBook Pro comum e para o MacBook Pro M6

Chip, memória e conjunto de portas são os mesmos do MacBook Pro com tela mini-LED lançado em março. A Apple diz que refez a arquitetura térmica para manter o mesmo desempenho sustentado num corpo mais fino, mas só os testes vão confirmar isso. Nos Estados Unidos, onde há preço dos dois, o modelo OLED custa US$ 400 a mais que o comum, que parte de US$ 2.499 (14") e US$ 2.999 (16"), segundo o 9to5Mac. Esses US$ 400 pagam a tela, o toque, a Dynamic Island, o peso menor e o som revisado.

A semana de lançamentos aumenta o risco de confusão na loja. Na terça-feira (27), um dia antes, a Apple lançou um MacBook Pro de 14 polegadas com chip M6, a partir de US$ 1.999 nos EUA, com Wi-Fi 7, três portas Thunderbolt 4, HDMI e MagSafe 3. Esse modelo não tem toque. Quem quer o Mac com tela touch precisa levar um M5 Pro ou M5 Max: não há opção M6 na linha PROLED XDR.

As fontes divergem sobre o futuro do modelo com mini-LED. O MacRumors informa que a Apple descontinuou os MacBook Pro anteriores, enquanto o 9to5Mac os compara como linha vendida em paralelo. A Apple não divulgou preço em reais do modelo comum ao lado do novo.

Vista de cima do teclado do novo MacBook Pro com cabos Thunderbolt, HDMI, cartão SD e carregador conectados
Divulgação/Apple (Imagem: reprodução)

Preço do MacBook Pro com tela touch no Brasil e data de entrega

A pré-venda começou nesta quarta-feira (28) na Apple Store online do Brasil e no app Apple Store, em 30 países e regiões. As entregas e a venda nas Apple Stores e em revendedores autorizados começam na sexta-feira, 6 de novembro. Os preços iniciais no Brasil, segundo o comunicado da Apple, são:

VersãoPreço no BrasilCom desconto para educaçãoPreço nos EUA
14" com M5 ProR$ 34.999R$ 33.199US$ 2.899
16" com M5 ProR$ 41.999R$ 39.499US$ 3.399
14" com M5 MaxR$ 53.999R$ 50.399US$ 4.499
16" com M5 MaxR$ 57.999R$ 54.299US$ 4.799

No topo, a versão com nano-texture, M5 Max com GPU de 40 núcleos, 128 GB de memória e 16 TB de armazenamento sai por R$ 176.799, parcelável em até 12 vezes. Pelas nossas contas, o preço de entrada brasileiro equivale a cerca de 12 vezes o valor em dólar do mesmo modelo, uma relação que se repete nas outras versões e mostra o peso de impostos e câmbio.

O carregador mais potente custa à parte: a Apple cobra R$ 559 pelo adaptador de 70 W, R$ 869 pelo de 96 W e R$ 899 pelo de 140 W. O Apple Creator Studio, assinatura que reúne Pixelmator Pro, Logic Pro e Final Cut Pro com os recursos de toque, sai por R$ 39,90 por mês ou R$ 399 por ano (R$ 14,90 e R$ 149 para educação). Quem compra um Mac novo qualificado ganha três meses grátis, e os assinantes atuais recebem as novidades sem custo em novembro.

Ainda faltam respostas importantes para quem pensa em comprar. Nenhuma fonte informa se dá para desligar o toque nos ajustes do macOS nem se há compatibilidade com caneta. Também não há testes independentes de autonomia, aquecimento ou durabilidade do OLED, nem preço de troca de tela. As primeiras análises devem aparecer perto de 6 de novembro, quando as unidades chegarem aos compradores.