A Nubia, marca da ZTE, apresentou na China o NaviX Ultra, um Android topo de linha com uma escolha incomum: dois leitores de impressão digital, cada um com uma função. O sensor ultrassônico da Goodix sob a tela faz o desbloqueio, a autenticação em apps e os pagamentos, como em qualquer celular atual; o segundo fica embutido no botão lateral dedicado à inteligência artificial e confirma a identidade do usuário no mesmo instante em que ele pressiona a tecla para conversar com o assistente, segundo a fabricante e a Goodix. O aparelho parte de ¥ 5.999 (cerca de R$ 4.610 em conversão direta) na versão de 12 GB e 512 GB e não tem previsão de lançamento global nem no Brasil, informa o Canaltech.
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A ideia é cortar uma etapa. Hoje, acionar um assistente com dados pessoais exige desbloquear o celular pelo sensor da tela e só então apertar o botão; no NaviX Ultra, o toque no botão já autentica e abre a conversa. Não é o primeiro celular com dois sensores biométricos — o Porsche Design Huawei Mate RS, de 2018, combinava um leitor traseiro com outro sob a tela, e o próprio Nubia Z20, de 2019, tinha um sensor em cada lateral para acompanhar suas duas telas —, mas é o primeiro a dar ao segundo leitor uma função exclusiva.
Um celular construído em volta do assistente
A Nubia vende o NaviX Ultra como um aparelho desenhado ao redor da IA. O assistente roda sobre o modelo Seed, da ByteDance (dona do TikTok), com interação multimodal, ativação por voz e conversas contínuas sem repetir o comando de ativação a cada pergunta. Ele também escreve código e se integra a aplicativos de terceiros para automatizar tarefas — proposta parecida com a que outras marcas chinesas têm adotado, mas aqui com a biometria acoplada ao botão para que ações sensíveis (pagar, enviar, abrir dados) não dependam de uma segunda confirmação.
| Item | Nubia NaviX Ultra |
|---|---|
| Tela | OLED de 6,78", 2.800 × 1.260 pixels, 144 Hz |
| Processador | Snapdragon 8 Elite Gen 5 |
| Memória e armazenamento | 12 GB de RAM e 512 GB (versão de entrada) |
| Bateria | 7.100 mAh, carga de 90 W por cabo e 50 W sem fio |
| Câmeras traseiras | Principal de 200 MP, telefoto periscópica de 64 MP (zoom óptico 3x) e ultrawide de 50 MP |
| Biometria | Leitor ultrassônico Goodix sob a tela + segundo leitor no botão de IA |
| IA | Assistente baseado no modelo Seed (ByteDance), multimodal, ativação por voz |
| Preço na China | A partir de ¥ 5.999 (cerca de R$ 4.610 em conversão direta) |
Preço e disponibilidade
O NaviX Ultra é vendido apenas na China, a partir de ¥ 5.999 na configuração de 12 GB/512 GB — cerca de R$ 4.610 pela cotação, sem os impostos que, no Brasil, costumam dobrar o valor de um importado. A Nubia não anunciou versão global, e a marca não tem operação oficial no país; seus aparelhos chegam por importadores, sem garantia local e, em geral, sem certificação da Anatel. Para comparação, os topos de linha vendidos oficialmente aqui com o Snapdragon 8 Elite Gen 5 partem de faixas bem acima disso.
Dois sensores resolvem — mas há jeitos mais simples
A solução funciona, mas acrescenta um componente que encarece a produção e o aparelho, e o mesmo resultado tem alternativas conhecidas. Xiaomi já ofereceu, em 2019, atalhos no próprio leitor de digital: depois do desbloqueio, o usuário mantinha o dedo no sensor e deslizava até um atalho para abrir apps ou funções. Outra saída é associar um dedo cadastrado só ao assistente — a mesma lógica do Segundo Espaço da Xiaomi, que abre um ambiente separado com uma digital diferente. Um software assim abriria a IA autenticada sem hardware extra. O mérito do NaviX Ultra é menos o segundo sensor e mais o que ele sinaliza: os fabricantes chineses estão tratando o botão de IA como uma porta de entrada para ações que exigem identidade, não como um atalho para um chatbot. Se a ideia pegar, a tendência é o sensor migrar para o botão de energia, onde já existe em muitos aparelhos, e o segundo leitor virar desnecessário.




