O Banco Central estuda uma modalidade oficial de Pix internacional, mas brasileiros já conseguem pagar compras em real com QR code em alguns países.

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Neste artigo
  1. Como o Pix funciona em outros países hoje?
  2. Qual banco internacional recebe Pix e o que o BC quer mudar?
  3. Qual lugar da Europa está aceitando Pix? Posso usar o Pix na Europa?
  4. O que o Pix internacional oficial deve trazer de novo?

Hoje, o Pix não faz transferência direta para contas estrangeiras, mas o Banco Central confirma que avalia interligar o sistema brasileiro a plataformas instantâneas de outros países e a hubs multilaterais. Em paralelo, lojas em destinos como Argentina, Estados Unidos, Portugal, Uruguai, Chile e França já aceitam pagamento em Pix, via acordos comerciais que liquidam a operação em reais na hora.

Como o Pix funciona em outros países hoje?

Fora do Brasil, o Pix circula de forma bem mais limitada e, na prática, continua sendo um arranjo brasileiro encaixado na ponta de loja. Não existe envio de Pix direto para uma conta estrangeira: o que está disponível são comércios em cidades turísticas que exibem um QR code, o turista escaneia, paga em reais, e um parceiro financeiro faz a conversão e a liquidação nos bastidores.

Segundo o Banco Central, isso ocorre por meio de aplicativos e soluções de instituições estrangeiras conectadas a empresas brasileiras, que acionam mecanismos tradicionais de remessa por baixo do capô. O fechamento de câmbio acontece no ato da compra, o que dá previsibilidade de quanto sai da conta em reais do cliente.

Esse modelo já aparece em lojas relatadas por turistas em Buenos Aires, Miami, Orlando, Lisboa, além de estabelecimentos no Uruguai, Chile e França. É um remendo funcional, mas ainda distante da ideia de um Pix realmente transfronteiriço, interoperável com sistemas de mais de um país sem gambiarra de backoffice.

Qual banco internacional recebe Pix e o que o BC quer mudar?

Banco internacional, no sentido de instituição lá fora com conta em dólar ou euro recebendo um Pix direto, ainda não existe. Para receber Pix morando fora, o requisito continua o mesmo: ter conta em banco brasileiro e cadastrar uma chave aqui. O dinheiro segue circulando dentro do sistema nacional, mesmo que o usuário esteja fisicamente no exterior.

O Banco Central afirma que acompanha modelos de transações transfronteiriças que já permitem usar Pix em outros países via apps de instituições financeiras estrangeiras, mas sempre com uma ponta brasileira na operação. A meta da autoridade monetária, registrada em relatório de gestão, é outra: interligar o Pix a sistemas instantâneos de pagamento de outras jurisdições, com conexões bilaterais e participação em hubs multilaterais.

Nesse cenário, remessas internacionais e pagamentos de compras em moeda local aconteceriam em segundos, com tarifas menores, mais transparência e acesso ampliado. O problema é que ainda não há desenho fechado de como essa conexão de sistemas vai funcionar nem cronograma oficial para o lançamento do Pix internacional.

Qual lugar da Europa está aceitando Pix? Posso usar o Pix na Europa?

Hoje, uso de Pix na Europa ainda é exceção, não regra. Relatos citados pelo Banco Central indicam aceitação em lojas de Lisboa e em comércios na França, novamente via acordos específicos entre empresas brasileiras e parceiras locais. Não é o mercado europeu inteiro aderindo ao Pix; são pontos isolados que enxergaram vantagem em receber em real, via QR code, e deixar a conversão com intermediários.

Mesmo assim, para o turista brasileiro, a experiência é simples: escanear o QR code, autorizar o pagamento em reais e ver o débito cair na conta na hora, com o câmbio fechado naquele instante. Não há necessidade de cartão internacional, nem de abrir conta lá fora. A limitação é a cobertura: fora desses destinos e dessas lojas específicas, você continua dependente de cartão, dinheiro ou outros meios de pagamento.

Na prática, você pode usar Pix na Europa apenas onde algum estabelecimento decidiu integrar com esse tipo de solução baseada no sistema brasileiro. Não existe, por enquanto, Pix como opção nativa nos bancos europeus, nem transferência direta para IBAN via Pix. O projeto de interligação internacional, segundo o Banco Central e o Banco de Compensações Internacionais, ainda está em construção.

O que o Pix internacional oficial deve trazer de novo?

O caminho regulatório para um Pix internacional ficou mais aberto com a nova lei cambial, em vigor desde o início de 2023, que deu mais liberdade ao mercado de câmbio brasileiro. Na frente técnica, o Banco Central cita que acompanha iniciativas de interligação de sistemas instantâneos de pagamento e menciona plataformas como o Nexus, do Banco de Compensações Internacionais, pensadas justamente para conectar diferentes países.

Relatório do BIS aponta que mais de 70 países já têm sistemas instantâneos domésticos, mas presos às próprias fronteiras. A interligação desses sistemas pretende permitir pagamentos transfronteiriços em até 60 segundos, seguindo metas definidas pelo G20 para velocidade, custo e transparência. Bancos centrais de países do Sudeste Asiático, como Singapura e Tailândia, já conectaram seus sistemas via telefone desde 2021, e novos grupos de países discutem aderir à próxima fase do Nexus.

Montagem com ícone do Pix sobre notas de real
Relatórios do Banco Central detalham planos para Pix internacional, Pix offline e novas funções de segurança (Imagem: reprodução/tecmundo.com.br)

No Brasil, o Banco Central ainda insiste que não há previsão de lançamento do Pix internacional. Enquanto isso, trabalha em outras frentes: Pix automático e Pix agendado recorrente devem chegar antes, assim como o uso de Pix offline via NFC e melhorias de segurança contra golpes. O uso informal do Pix lá fora, em QR codes espalhados por destinos turísticos, já corre na frente da regulação oficial e pressiona o BC a encarar o jogo global dos pagamentos instantâneos.