Um exploit publicado no GitHub em 29 de setembro, o Relapse, desbloqueia qualquer PS5 ou PS5 Pro com firmware entre 7.00 e 13.60 a partir do navegador do próprio console. Dez dias depois, consoles desbloqueados já rodavam a versão 2.00 do PS5SX2, emulador que leva jogos de PS2 a até 120 fps.
Adicione ao Google NotíciasNeste artigo
Para quem pensa em desbloquear o próprio aparelho ou comprar um usado "destravado", a conta vem junto: a Sony prevê em seus termos a suspensão da conta e do console na PSN, o desbloqueio some a cada reinicialização e, segundo dados extraídos da PlayStation Store, o GTA 6 vai exigir um firmware que já fecha a brecha.
Como o Relapse desbloqueia o PS5 pelo navegador, e por que não é definitivo
O código foi publicado pelo desenvolvedor ntfargo, identificado pela Mashable como Nathan Fargo. O repositório do Relapse passou de 1.100 estrelas em poucos dias. É um salto grande: o jailbreak público anterior parava no firmware 12.70.
A cadeia tem duas falhas. A primeira fica no JavaScriptCore, o motor JavaScript do WebKit usado pelo navegador do console: um vazamento de memória combinado a um erro na reutilização de objetos "structured clone" permite corromper um typed array. A segunda está no kernel do Orbis OS, o sistema do PS5 derivado do FreeBSD — uma condição de corrida que gera um use-after-free na função aio_multi_wait. Vencida a corrida, o invasor ganha leitura e escrita no kernel e pode carregar payloads, homebrew e até Linux. O exploit em si não exige pendrive.
Há limites que os vídeos de "desbloqueio" costumam omitir. O próprio README admite que o exploit não é confiável de primeira e que a etapa do kernel pode travar o console. E nada fica gravado: a cada reinicialização, o processo precisa ser refeito. Desbloqueio definitivo, por enquanto, não existe.

O Relapse não chegou sozinho. Em 2026, hackers já tinham obtido as chaves da BootROM do PS5, e em 12 de outubro saiu o Byepervisor-Reborn, exploit de hypervisor para os firmwares 13.60 e 13.20. Já o Linux no PS5 só roda até a versão 7.61.
Emulador de PS2 no PS5: PS5SX2 2.0 tem frame generation e resolução 8x
A Sony abandonou a retrocompatibilidade com PS2 e PS3 a partir do PS4. O PS5SX2, porte nativo do emulador PCSX2 feito pelo desenvolvedor sword_pdf, devolve o PS2 aos consoles desbloqueados. A versão 2.00, divulgada em 9 de outubro, está na página de lançamentos do PS5SX2 no GitHub.
A lista de recursos é longa para um projeto amador:
- frame generation que leva jogos de 30 para 60 fps ou de 60 para 120 fps;
- escala de resolução interna de até 8x no PS5 Pro, pensada para TVs 4K;
- pacotes de texturas HD com um clique, conquistas do RetroAchievements com notificação no estilo de troféu e multiplayer online de volta em jogos compatíveis;
- save states, cheats, patches de widescreen e 60 fps e melhor suporte a jogos de vários discos.
A versão 2.10, de 14 de outubro, passou a ler discos de PS2 pelo drive óptico do console e a exibir cada disco como atalho na tela inicial.
O lado pirata cresceu na mesma velocidade. A Overdrive, loja com mais de 1.600 jogos de PS4 e PS5 de graça para consoles desbloqueados, saiu do ar por volta de 13 de outubro, e um clone com cerca de 1.800 títulos apareceu logo depois. A Sony não confirmou ter agido; um post nas redes citou uma carta de cessar e desistir, também não confirmada. O Gizmodo chamou o momento de "o momento Napster da Sony", e a Mashable suspeita que a IA esteja por trás das centenas de portes e emuladores que surgiram nas últimas semanas, uma hipótese do veículo, não um fato apurado.

Firmware 14.00 fechou a brecha: PS5 desbloqueado vai rodar GTA 6?
A brecha já estava fechada para quem atualizou antes da publicação. A Sony liberou o firmware 14.00 em 16 de setembro, 13 dias antes, e a versão já corrige a falha. A 14.10 veio em 1º de outubro com mais ajustes, e a empresa não associou nenhuma das duas ao exploit. O PS5 não tem downgrade oficial: quem atualizou não volta. O Relapse só funciona em consoles que ficaram na 13.60 (lançada em julho) ou abaixo. Para os firmwares 14.00 e 14.10 não há exploit público.
O GTA 6 chega ao PS5 em 19 de novembro. Pelo banco de dados da PS Store, num achado divulgado pelo perfil PlayStation Game Size, o jogo exigirá o firmware 14.10.00.00 ou superior. A Sony não confirmou o requisito, então trata-se de vazamento. Se ele se confirmar, o dono de um PS5 desbloqueado terá de escolher entre o jailbreak e o lançamento do ano.
O mercado de usados já precifica a versão antiga. No eBay da Itália, PS5 Slim parado na 13.60 aparece anunciado por até 103 euros a mais que unidades atualizadas. Segundo a Mashable, um PS5 Pro usado pode passar de US$ 1.300. Não há preço em reais apurado para PS5 desbloqueado no Brasil. Quem paga mais por um console "destravado" está pagando para ficar preso numa versão que não recebe correções nem, ao que tudo indica, os jogos novos.
PS5 desbloqueado joga online? Banimento da PSN, garantia e lei
O risco online é concreto no papel. Os termos da Sony preveem três níveis de punição: restrição de comunicação, suspensão da conta e suspensão do console, a mais grave, que bloqueia a PSN para qualquer conta usada naquele aparelho. O contrato de licença do software proíbe modificar o sistema e contornar a segurança, e permite à Sony recusar garantia ou reparo. Usar o Relapse "pode resultar em banimento permanente da conta e do ID do hardware", resumiu o site HotHardware no dia do lançamento. O PS5SX2 carrega a mesma ressalva: o desbloqueio restringe os serviços da PSN, incluindo o multiplayer oficial.
Ainda não há sinal de banimento em massa. O caso mais citado é o de um usuário na Turquia que diz ter desbloqueado um PS5 comprado três meses antes e perdido o acesso à PSN com o erro WS-116332-6. A página da Sony sobre o código diz apenas que o acesso "pode estar proibido ou temporariamente indisponível", e o mesmo erro aparece em consoles usados sem relação com jailbreak, então a causa não está provada. Reinstalar o sistema pelo Modo de Segurança apaga os dados, mas não desfaz uma suspensão.
A Sony tem histórico: em 2011 alertou donos de PS3 de que o desbloqueio levaria à perda permanente da PSN. Nos EUA, contornar a proteção de um console viola o DMCA, e consoles não têm isenção. No Brasil, a Justiça de São Paulo já obrigou a Sony a reativar um PS5 banido da PSN — por compartilhamento de jogos da PS Plus Collection, não por jailbreak.
Quem vai comprar um PS5 usado deve conferir a versão do sistema antes de pagar: um aparelho na 13.60 ou abaixo é desbloqueável, mas não pode ser atualizado sem perder o jailbreak, e a modificação dá à Sony base para negar reparo. Até agora, a empresa não comentou publicamente o Relapse. O primeiro teste real vem em 19 de novembro, quando o GTA 6 mostrar se exige mesmo o firmware 14.10.




