Um smartphone com Windows 11 completo, o mesmo sistema de PC, começa a ser vendido em março e resgata a ideia de um Windows Phone em versão 2026, mas rodando o Windows de desktop sem adaptações profundas.

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Neste artigo
  1. Windows 11 de desktop, agora em formato de celular
  2. Experimentos anteriores mostram onde dói
  3. Integração com Android continua sendo o plano A da Microsoft
  4. Quem é esse celular com Windows 11 em março

O aparelho sai de fábrica com a versão tradicional do Windows 11 para arquitetura ARM, em vez de Android ou de um fork obscuro, e mira diretamente um nicho de entusiastas que já andam instalando o sistema da Microsoft em celulares por conta própria, recorrendo a tutoriais de comunidade e ferramentas paralelas.

Windows 11 de desktop, agora em formato de celular

A diferença aqui não fica em slogans: o dispositivo usa o Windows 11 de desktop ajustado ao hardware mobile, e não um sistema móvel separado como foi o Windows Phone. Na prática, isso significa interface, apps e limitações herdadas do que já existe hoje em PCs e notebooks com Windows 11, com a mesma base de recursos e as mesmas esquisitices migradas para uma tela menor.

Até agora, rodar Windows 11 em telefone era gambiarra de fórum. Um caso recente virou exemplo didático: um usuário levou oito horas para instalar o sistema em um aparelho usando o projeto Renegade Project e uma UEFI para smartphone. O processo envolveu múltiplos reboots, ajustes finos em bootloader e tentativa e erro com drivers. O resultado funcionou, mas com bateria durando por volta de 2,5 horas, sem carregamento rápido e com o telefone esquentando fácil até cerca de 120 °F, números impraticáveis para uso diário, mesmo para quem tolera instabilidades.

O novo smartphone entra em cena para oficializar essa experiência: tira o usuário da etapa de hack, entrega o sistema pronto e, em tese, com drivers e ajustes mínimos para não virar uma torradeira de bolso. Continua sendo Windows 11, com tudo de bom e de problemático que isso carrega quando cai numa tela pequena, de multitarefa pesada a janela minúscula de diálogo pensada para mouse.

Experimentos anteriores mostram onde dói

Os testes informais com Windows 11 em celular ajudam a calibrar a expectativa para março e já expõem os pontos fracos. No caso documentado no Reddit e destrinchado depois, os gargalos ficaram claros e se repetem em outros relatos de entusiastas:

  • autonomia pífia, na casa de 2,5 horas de uso;

  • carregamento lento por falta de drivers de carga rápida;

  • temperatura constantemente alta, perto de 120 °F, mesmo em uso normal;

Isso sem falar na ergonomia de usar um sistema de desktop, pensado para mouse, teclado e telas grandes, num display de smartphone. A interface do Windows 11 já está mais amigável ao toque que as versões antigas, com botões maiores e menus menos apertados, mas ainda não é Android ou iOS quando o assunto é gesto, navegação com uma mão e otimização de apps para layouts verticais e interações rápidas.

Se o aparelho que chega em março não trouxer respostas sólidas para esses três pontos — bateria, calor e usabilidade —, vira basicamente um dev kit caro para quem quer brincar de rodar Windows 11 fora do PC, mesmo que venha em embalagem de produto final para consumidor.

Integração com Android continua sendo o plano A da Microsoft

A existência de um smartphone com Windows 11 não muda o fato de que, do lado da Microsoft, a aposta oficial segue em outra direção: integração com Android e iPhone, não um sistema móvel próprio com marca Windows rodando direto no hardware do telefone.

O Windows 11 já ganhou recursos como transformar celulares Android em webcam sem fio para o PC, via aplicativo Link to Windows e Phone Link, com suporte a trocar entre câmera frontal e traseira, pausar vídeo, ativar HDR e até checar a bateria do telefone direto na barra do sistema.

Celular Android usado como webcam sem fio no Windows 11
Windows 11 já consegue usar a câmera do smartphone Android como webcam via Phone Link (Imagem: reprodução/oficinadanet.com.br)

Mais recentemente, a Microsoft começou a testar uma barra lateral no menu Iniciar do Windows 11 que mostra o telefone do usuário com status de bateria, conectividade, notificações, mensagens, ligações e fotos, tudo puxado do Android. Em outra frente, o mesmo painel está sendo levado também para quem usa iPhone, segundo a própria empresa, replicando o conceito de “central de celular” dentro do próprio desktop.

A empresa mantém assim o foco em transformar Windows 11 em um hub que enxerga o smartphone existente — Android ou iOS — em vez de disputar espaço com ele com um Windows Phone reeditado.

Quem é esse celular com Windows 11 em março

Sem especificações detalhadas públicas, o que se sabe hoje é o conceito: um smartphone que chega ao mercado em março com Windows 11 completo pré-instalado, apostando em Windows ARM e em uma base curiosa por reviver o Windows Phone em outra forma, agora sem camada intermediária de sistema móvel dedicado.

É um produto de nicho por definição. Fala com quem quer levar o mesmo ambiente do notebook para o bolso, rodar apps x86/ARM adaptados, testar drivers e, possivelmente, usar o aparelho acoplado a monitor, teclado e mouse como um mini PC, recriando no bolso a lógica de um desktop dockável.

Para o usuário comum, o alerta fica claro nos relatos existentes: experiências já feitas por entusiastas mostram que Windows 11 em corpo de smartphone cobra caro em bateria, calor e estabilidade. Até março, o ponto em aberto é se esse primeiro modelo com selo oficial consegue quebrar esse histórico ou se entra na prateleira de experimentos que repetem os mesmos limites de autonomia de 2,5 horas e temperatura perto de 120 °F em pleno uso de bolso.