O STF decidiu que os Detrans de todo o país devem aceitar carro próprio ou de terceiros na prova prática da CNH, desde que o veículo esteja regular e siga as regras do Contran. A medida atinge diretamente o bolso de quem vai tirar a carteira e pressiona o modelo tradicional das autoescolas, baseado no uso quase obrigatório de veículos conveniados.
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- Pode usar o próprio carro para tirar CNH?
- CNH de carro: qual categoria vale e onde entra o automático?
- CNH para carro automático e restrição 78: o que dá para dirigir?
- Quem não tem CNH pode ter ou comprar carro em seu nome?
- Quanto custa tirar a CNH de carro hoje?
- Como o carro próprio entra na nova prova prática do Detran
- CNH brasileira, novo documento e impacto do STF
- STF, projeto de lei e a guerra em torno do custo da CNH
Na prática, a decisão libera o uso de veículo particular no exame prático em todo o Brasil, inclusive carros automáticos, em vez de limitar o candidato ao carro da autoescola. Continua valendo a exigência de que o veículo cumpra as normas do Código de Trânsito Brasileiro e das resoluções do Contran, e cada Detran ainda precisa ajustar seu procedimento interno para agendar a prova com carro próprio, desde o credenciamento até a checagem documental do veículo no dia do teste.
Pode usar o próprio carro para tirar CNH?
Sim. Com a decisão do STF, o candidato pode fazer o exame prático da CNH usando carro próprio, de terceiros ou do próprio Detran, desde que o veículo esteja licenciado, com equipamentos obrigatórios em dia e dentro das especificações da categoria em que o candidato quer se habilitar. A prova segue sob responsabilidade do Detran, com examinador do órgão acompanhando o trajeto de rua definido pelo estado.
O Contran já havia aberto espaço para isso ao regulamentar que o exame prático pode usar veículo do candidato, de terceiros ou fornecido pelo órgão executivo de trânsito. A resolução mais recente, a 1.020/25, reforça esse ponto ao tratar do uso de monitoramento eletrônico e deixar claro que, se o carro for do candidato, qualquer equipamento extra exigido para registrar a prova precisa ser instalado sem custo adicional.
O STF entra nesse cenário ao afirmar que os Detrans não podem criar barreiras arbitrárias contra o uso de carro particular quando a norma federal autoriza essa opção. O exame continua sob responsabilidade do Detran, com banca avaliadora de três membros e rota definida pelo órgão, mas a frota usada no teste deixa de ser monopólio de autoescola e veículo conveniado, abrindo espaço para a frota particular de candidatos e familiares.
CNH de carro: qual categoria vale e onde entra o automático?
A carteira “só para carro”, que concentra a maior parte dos pedidos, é a categoria B da CNH. Ela autoriza a dirigir veículos de até oito lugares, sem contar o motorista, e com peso bruto total de até 3.500 kg. Quem quer dirigir moto precisa de categoria A; quem busca as duas habilitações pega a combinação AB, que aparece explicitamente na CNH.
A categoria A é exclusiva para motocicletas e similares. Já as categorias C, D e E valem para caminhões, ônibus, vans e conjuntos articulados, com exigências adicionais de experiência prévia e idade. Esse arcabouço segue igual: o que muda com a nova leva de regras é o formato de aulas e prova, e o tipo de carro que o candidato pode usar nesse processo de formação e avaliação.
A CNH para carro automático entra como uma variação dentro da categoria B. Quem faz todo o processo — aulas e exame prático — em veículo com câmbio automático recebe uma anotação na CNH limitando a condução a veículos automáticos. Essa anotação segue o padrão europeu e aparece no documento como código específico, a chamada restrição 78, visível na área de observações da nova carteira.
CNH para carro automático e restrição 78: o que dá para dirigir?
A “nova CNH para carro automático” não é uma categoria separada, e sim a mesma categoria B com a restrição 78. Essa restrição indica que o condutor só está autorizado a dirigir veículos com transmissão automática, mesmo que eles sejam da categoria B tradicional. O código aparece na tabela de observações da carteira, junto de outras indicações médicas ou funcionais.
Quem faz o processo de habilitação usando apenas carro automático — das aulas à prova prática — sai da autoescola já com a restrição 78 impressa na CNH. Isso vale para o Brasil todo, porque a nova CNH, em vigor desde 2022, traz um quadro padronizado de veículos autorizados e códigos de restrição alinhados a normas internacionais.
Se o motorista quiser dirigir carro manual depois, precisa passar por novo exame prático em veículo com câmbio manual. Aprovado, o Detran retira a restrição 78 na renovação ou emissão de nova via. Enquanto a restrição estiver ativa, dirigir carro manual conta como conduzir veículo para o qual não está habilitado, com enquadramento de infração gravíssima.
Quem não tem CNH pode ter ou comprar carro em seu nome?
Ter CNH e ter carro no próprio nome são coisas diferentes. A legislação brasileira permite que uma pessoa sem carteira de motorista seja proprietária de veículo, desde que tenha CPF regular e atenda às exigências de registro no Detran. Isso vale para brasileiros e estrangeiros com documentação válida, inclusive com CRNM e autorização de residência.
Na prática, alguém sem CNH pode comprar um carro zero quilômetro na concessionária ou um usado de particular. O processo gera o CRV (Certificado de Registro de Veículo) e o CRLV anual, atrelados ao CPF do dono. As obrigações de IPVA, licenciamento e seguro obrigatório ficam nessa pessoa, mesmo que ela nunca sente ao volante.
O que a lei proíbe é conduzir o veículo sem habilitação. Quem compra carro sem CNH pode emprestá-lo para alguém habilitado ou usá-lo apenas para fins que não envolvam dirigir em via pública, como exposição ou coleção em garagem particular. Se for pego dirigindo sem habilitação, o dono responde por infração gravíssima, com multa pesada e possibilidade de responsabilização em caso de acidente.
Quanto custa tirar a CNH de carro hoje?
O custo para tirar a CNH de carro no Brasil continua alto, e boa parte disso está nos serviços das autoescolas e no aluguel de veículos para exame. Um guia recente sobre habilitação no país estima que o processo completo, com aulas teóricas, exames médicos e psicológicos, aulas práticas e taxas, pode ficar entre R$ 2.500 e R$ 4.000 para categoria B, dependendo do estado e da escola escolhida.
Nessa conta, uma fatia relevante vai para o uso do carro da autoescola na prova prática. Um levantamento citado em discussão legislativa aponta que, dos mais de R$ 2.000 que um candidato gasta em média para conseguir a CNH, cerca de R$ 280 correspondem apenas ao aluguel do veículo usado no exame final. É exatamente esse pedaço que o uso de carro próprio tende a cortar do orçamento.
A decisão do STF expõe esse número. Se o candidato puder levar o próprio carro — ou o carro de um familiar — para a prova, a cobrança de aluguel perde sentido. O custo total da CNH de carro continua atrelado a aulas obrigatórias, exames e taxas de Detran, mas o valor de entrada cai para quem já tem acesso a um veículo regularizado e não depende da frota das autoescolas.
Como o carro próprio entra na nova prova prática do Detran
A Resolução 1.020/25 do Contran redesenha o exame prático da CNH e encaixa o carro próprio nessa equação. O teste passa a ser baseado em pontuação objetiva: o candidato começa com zero pontos, e cada erro rende pontos conforme a gravidade, com pesos de 1 para falta leve, 2 para média, 4 para grave e 6 para gravíssima. Se passar de 10 pontos, reprova.
A banca examinadora tem três membros, pelo menos um deles com CNH de categoria igual ou superior à do exame. A prova continua nas ruas próximas ao posto do Detran, com possibilidade de monitoramento eletrônico por câmeras e sensores instalados no veículo. Quando o carro é particular, a resolução deixa claro que a instalação desse sistema não pode gerar custo extra para o candidato, cabendo ao órgão de trânsito viabilizar a aparelhagem.
O novo modelo também flexibiliza a parte de formação. Para categorias A e B, o sistema libera o agendamento da prova prática com apenas duas horas de aulas registradas no Renach, bem menos que o padrão anterior. Isso aumenta o peso do exame como filtro real de habilidade e torna o carro usado na prova — seja da autoescola, do Detran ou do próprio candidato — uma peça central nesse funil de aprovação.
CNH brasileira, novo documento e impacto do STF
A CNH brasileira vive uma fase de mudanças em duas frentes: o formato do documento e o processo de habilitação. Desde 2022, o cartão físico ganhou novo layout, com cores verde e amarela, QR Code, informações em português, inglês e espanhol e um quadro padronizado com os tipos de veículos permitidos e códigos de restrição. Isso facilita o uso da CNH como documento de viagem em aeroportos e fora do país.
Na prática, quem já tinha CNH antiga não precisou trocar: o novo modelo passa a valer conforme renovações e emissões. A inclusão da tabela de categorias e códigos, porém, dá mais transparência à tal restrição 78 de carro automático e a outras anotações importantes, como autorização para atividade remunerada.
A decisão do STF sobre o carro próprio se encaixa nesse pacote de mudanças. O documento mais detalhado deixa claro o que o motorista pode dirigir, enquanto o exame prático mais flexível e aberto a veículo particular muda a porta de entrada do sistema. O passo seguinte recai sobre os Detrans, que terão de encaixar o monitoramento eletrônico em carros de candidatos sem repassar custo e registrar a variedade de veículos no novo padrão de CNH.
STF, projeto de lei e a guerra em torno do custo da CNH
Paralelamente à decisão do STF, um projeto de lei no Senado, o PL 1.183/2024, tenta cravar em papel a possibilidade de usar carro particular no exame de direção. O texto altera o artigo 152 do Código de Trânsito Brasileiro para deixar explícito que o teste pode ser feito em qualquer veículo exigido para a categoria, inclusive particular, tirando espaço para resoluções secundárias restringirem essa opção.
O autor do projeto vende a ideia como economia direta para o candidato, ao cortar até R$ 280 em aluguel de carro de autoescola dentro de uma conta total que passa de R$ 2.000. Do outro lado, instrutores e especialistas em segurança levantam a questão de que carros de autoescola têm duplo comando de freio e embreagem, o que permite intervenção do examinador em caso de erro grave, coisa que o carro comum não traz de fábrica.
Com o STF liberando o uso de carro próprio sob a guarda das regras do Contran e o Congresso avaliando se muda o CTB para consolidar isso em lei, o próximo round deve acontecer nos Detrans. Eles vão precisar equilibrar pressão por redução de custo, lobby de autoescola e a responsabilidade de manter o exame prático como barreira real em um trânsito que figura entre os mais letais do mundo.




