A Vivo começou nesta segunda-feira (26) a avisar os clientes de que o celular comum vai se conectar direto aos satélites da Starlink quando não houver sinal da rede terrestre. O serviço, chamado Vivo Satélite, não exige antena, vale para a maioria dos planos móveis da operadora e sai de graça no período de lançamento.

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Neste artigo
  1. Como funciona a Starlink no celular da Vivo: WhatsApp, mapas e iMessage
  2. Velocidade da Starlink no celular: banda 7, satélites a 350 km e poucos megabits
  3. Celulares compatíveis com a Vivo Starlink: lista interna aceita iPhone 8 e barra iPhone 12
  4. Preço e disponibilidade
  5. Anatel autoriza Vivo Starlink até 2029; TIM e Claro apostam em outros satélites

Para quem passa por estrada, zona rural, litoral ou trilha sem cobertura, o serviço chega como o primeiro do tipo no Brasil: mensagem, mapa e chamada por aplicativo pelo satélite, sem aparelho extra. A conta tem limites claros: só funciona a céu aberto, para uso leve, e a Vivo ainda não disse quanto vai cobrar quando a gratuidade acabar.

A operadora fez tudo sem alarde. Mandou o comunicado aos assinantes e publicou páginas dedicadas no próprio site, mas até a leitura dos documentos não havia feito anúncio formal à imprensa. A mensagem aos clientes trata o recurso como uma camada extra para quando a rede convencional não chega.

A lista de serviços liberados é curta e pensada para tráfego baixo. Segundo a documentação do serviço, passam pelo satélite:

  • Google Maps e Apple Mapas;
  • mensagens de texto e áudio no WhatsApp, no iMessage e no Google Mensagens;
  • ligações pelo WhatsApp e pelo iMessage;
  • o aplicativo da própria Vivo.

Videochamada fica de fora, segundo o material de treinamento de vendedores que vazou em outubro. Esse mesmo material trazia o Waze na versão de 16 de outubro e o tirou da atualização de 24 de outubro. A Vivo não comentou o motivo.

Há três condições para o recurso entrar em ação: estar num lugar sem cobertura tradicional, manter o roaming ativado nas configurações do celular e ter visão do céu. O e-mail oficial é explícito ao dizer que o serviço só funciona em ambiente externo. Dentro de casa ou de um galpão, o celular não pega o satélite.

A tecnologia é a chamada D2D (direct-to-device), ou D2C na nomenclatura da SpaceX. Os satélites transmitem um sinal 4G LTE que o celular lê como se viesse de uma torre comum. No Brasil, a Starlink usa a banda 7 (2.500/2.600 MHz), faixa da própria Vivo leiloada para o 4G em 2012. Antes do lançamento, usuários já viam a rede "Vivo Starlink" na tela do celular em testes, e as empresas não comentaram. Daí a exigência de deixar o roaming ligado.

Os satélites voam a cerca de 350 km de altitude, segundo o material interno. A fase inicial foca em tráfego baixo, como mensagens, emergência e dados básicos, e o D2D complementa o 4G e o 5G em vez de substituí-los. O motivo aparece na velocidade.

A operadora não divulgou números para o Brasil. A melhor referência é o T-Satellite, da T-Mobile, que usa a mesma constelação nos Estados Unidos. Uma estimativa da Universidad Politécnica de Madrid com a Weplan Analytics aponta cerca de 4 Mbps em condições favoráveis. Num teste no Havaí relatado pelo BGR, a conexão entregou 1,7 Mbps de download, perto de 200 kbps de upload e latência acima de 200 ms. "Ajuste suas expectativas", resume o site americano. Dá para mandar áudio e abrir rota no mapa.

Vivo Satélite (Brasil)T-Satellite (EUA)
Parceira de satéliteStarlinkStarlink
PreçoGrátis no lançamento; valor posterior não divulgadoUS$ 10/mês (estimativa de R$ 55 a 60 em conversão direta); grátis nos planos Experience Beyond
EstreiaOutubro de 2026, já com apps de mensagem e mapasBeta em janeiro de 2025; operação plena em julho de 2025
VelocidadeNão divulgada1,7 a 4 Mbps de download em medições e estimativas

A Starlink fala em chegar a 150 Mbps com os satélites da geração V3 e um novo bloco de espectro, mas isso ainda não está implantado em lugar nenhum. No mar, segundo o material interno, o sinal acaba a cerca de 22 km da costa. O uso no exterior fica para uma fase posterior.

Satélites Starlink em órbita baixa da Terra, usados na conexão direta com celulares
Divulgação/SpaceX (Imagem: reprodução)
Logo da Vivo, operadora que oferece o Vivo Satélite
Reprodução/Vivo

A Vivo ainda não publicou no site a relação de aparelhos compatíveis, e diz apenas que ela deve incluir a maioria dos celulares vendidos no país. Quem adiantou os modelos foi a cartilha de vendedores, que traz a ressalva de que pode conter imprecisões. Trate o que segue como vazamento.

Pelo documento, vários modelos recebem um "SAT Mode", o modo satélite do aparelho. Já aparecem com o recurso a linha Galaxy S23 em diante, os Galaxy Z Flip5 e Z Fold5, os Galaxy A36, A56 e A57 e, da Motorola, Edge 60, Edge 70, Razr 60 e Moto G56. Aparelhos sem o modo também funcionam, desde que o roaming de dados fique ligado.

O caso da Apple é o mais estranho. iPhone X, 8, 7, 6 e o SE de primeira geração entram sem modo satélite. Os iPhone 13 em diante dependem do iOS 27.2, versão que a Apple ainda não liberou. iPhone 11 e iPhone 12 aparecem como não elegíveis. A cartilha prevê atualizações com o SAT Mode para outros modelos da Motorola em 3 de novembro; para a linha Galaxy A 5G em 9 de novembro; e para o Galaxy S23 FE em 30 de dezembro.

Preço e disponibilidade

O Vivo Satélite custa R$ 0 no período de lançamento, segundo o comunicado, e a operadora não informou quanto tempo dura a gratuidade nem o preço posterior. O material de treinamento fala em 12 meses sem custo extra e não traz valor para o 13º mês, mas a Vivo não confirmou esse prazo.

Têm direito os clientes do Vivo Pós, Vivo Total, Vivo Lite, Vivo Controle acima de R$ 40 e Vivo Pré com recarga de pelo menos R$ 30. A cartilha detalha exceções: Vivo Controle, Controle I, Controle Pln II, Controle Conectado e Controle Cartão ficam de fora, e no pré-pago só o Vivo Pré e o Pré Turbo 30 dias III entram. Para usar, basta estar sem cobertura e com o roaming ligado no celular. Quem quer internet de verdade fora da cobertura continua precisando de antena: o Starlink Mini já apareceu por menos de R$ 500 no varejo brasileiro.

O serviço roda sobre uma licença provisória. Em 16 de setembro, pelo Ato nº 11.334, publicado no Diário Oficial, a Anatel prorrogou até 22 de abril de 2029 a autorização da Telefônica Brasil para conexão direta entre celular e satélite, dentro de um sandbox regulatório. A versão anterior valia de 19 de julho a 22 de outubro de 2026 e limitava os testes a 50 terminais. A nova cobre todo o território, permite venda comercial e indica a Starlink como parceira, com a Vivo livre para trocar ou somar fornecedores avisando a agência.

As condições pesam. A operação é em caráter secundário: não tem proteção contra interferência e, se interferir em outro serviço, precisa parar. A potência máxima é de 100 W. A autorização também pode cair antes de 2029 se a Anatel publicar regras definitivas para o D2D. Na prática, um benefício que a Vivo vende como cobertura extra depende de um regime experimental.

A concorrência vem por outro caminho. A TIM aposta na AST SpaceMobile, que recebeu autorização parcial da Anatel em maio de 2026 para sua constelação de baixa órbita. A Claro fez testes com a Lynk no Maranhão em março de 2025. Iez!, Unifique e Brisanet também anunciaram parceria com a AST, na faixa de 700 MHz, mas nenhum serviço delas está no ar. A próxima data do calendário é 3 de novembro, quando os primeiros Motorola devem receber o modo satélite, e a lista oficial de aparelhos ainda não saiu.