Pela primeira vez, o brasileiro passa mais tempo em serviços de streaming de TV do que em redes sociais como Instagram e TikTok. É o que mostra o relatório Connecting the Dots 2026, da GWI (Global Web Index), consultoria britânica de comportamento digital, com base em mais de 17 mil consumidores brasileiros: o público do país dedica mais de 10 horas por semana a Netflix, Prime Video, Globoplay e afins — o dobro da média global, de 5 horas. No resto do mundo, a ordem é inversa: as redes sociais ocupam 7h06 semanais, e os vídeos curtos (Reels, TikToks, Shorts) somam outras 6h39.
Adicione ao Google NotíciasO dado inverte uma premissa do mercado publicitário, que trata o Brasil como um dos países mais "sociais" do planeta. O tempo em redes continua alto — a pesquisa não diz que ele caiu —, mas o streaming cresceu a ponto de ultrapassá-lo. A GWI não detalha as causas; o mercado costuma apontar o catálogo local (novelas e realities no Globoplay, esportes no Disney+ e no Prime Video) e os planos com anúncios, que baixaram o preço de entrada para a faixa dos R$ 20.
Os números do relatório
| Indicador (por semana) | Brasil | Média global |
|---|---|---|
| Streaming de TV | mais de 10 h | 5 h |
| Redes sociais | abaixo do streaming (valor não divulgado) | 7h06 |
| Vídeos curtos (Reels, TikTok, Shorts) | não divulgado | 6h39 |
| Usam IA ao menos uma vez por mês | 90% | — |
| Usam IA para buscar informação | 60% | — |
| Usam o ChatGPT regularmente | 52% | — |
| Pesquisam na internet antes de comprar | 68% | — |
| Tendem a comprar uma marca após ver anúncio | 32% | — |
Vale reparar na categoria medida: "streaming de TV" é o vídeo longo sob demanda — séries, filmes, novelas, esportes —, separado dos vídeos curtos, que a GWI contabiliza à parte. Ou seja, o brasileiro não trocou o Reels pela Netflix; ele soma as duas coisas, e a soma do vídeo longo já pesa mais do que o feed. É uma diferença relevante para anunciantes, porque o formato de anúncio, o preço por mil e o tipo de atenção são outros na TV da sala.
IA já é rotina para 9 em cada 10
O mesmo levantamento mede a adoção de inteligência artificial: 90% dos brasileiros entrevistados usam alguma ferramenta de IA pelo menos uma vez por mês, 60% para buscar informação e 52% citam o ChatGPT como uso regular. Na jornada de compra, 68% pesquisam o produto na internet antes de decidir, enquanto só 32% dizem tender a comprar uma marca por causa de um anúncio — retrato de um consumidor que se informa por conta própria e dá peso menor à publicidade tradicional. Para veículos e marcas, o recado é duplo: a atenção migrou para a TV sob demanda, e a pesquisa pré-compra passa cada vez mais por assistentes de IA, não só pelo Google.
O que sustenta as 10 horas
Assinar os principais serviços no Brasil ficou mais caro em 2026 — Disney+ virou o mais caro após o reajuste de julho, com plano premium a R$ 69,90; Netflix cobra R$ 59,90 no 4K; HBO Max, R$ 55,90 —, mas os planos com anúncios (Netflix a R$ 20,90, Globoplay a R$ 22,90, Prime Video a R$ 19,90) mantiveram a porta de entrada barata, e o brasileiro típico combina dois ou três serviços. A concorrência também mudou de forma: Netflix estuda vender outros streamings dentro do próprio app para enfrentar YouTube e Prime Video, e o consumo migrou para a TV da sala, onde as sessões são mais longas do que no celular. Para quem quer decidir onde gastar, comparamos os serviços em Serviços de streaming em 2026: quais valem seu dinheiro no Brasil.
Há um limite na leitura: o relatório mede tempo declarado por entrevistados, não medição de tela, e a GWI não divulgou o número exato de horas em redes sociais no Brasil — apenas que ficou abaixo do streaming. A tendência, porém, é consistente com outros indicadores do setor, como o crescimento de TVs conectadas e dos planos com anúncios, que transformaram o streaming no principal inventário de publicidade em vídeo do país.




