O Google liberou nesta quarta-feira (16) o acesso antecipado a um servidor MCP para o Google Home, que permite a qualquer agente de IA compatível com o Model Context Protocol — Claude, ChatGPT, Hermes, OpenClaw e o próprio Google Antigravity, entre outros — controlar os dispositivos da casa conectada e consultar o histórico de eventos. Com instruções em linguagem natural, o usuário pode pedir ao agente que revise os resumos das câmeras, monitore a atividade da casa, acione aparelhos e até monte painéis personalizados, segundo o TechCrunch. A liberação começa hoje e se estende pelas próximas semanas, mas apenas para assinantes do Google Home Premium Advanced nos Estados Unidos, plano de US$ 20 por mês (cerca de R$ 110).

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Neste artigo
  1. O que dá para fazer
  2. Como configurar (e por que não é para todo mundo)
  3. Preço e disponibilidade no Brasil

O MCP é o protocolo aberto, criado pela Anthropic em 2024, que virou o padrão para conectar modelos de IA a ferramentas e dados externos. O Google já o usava no Google Cloud, no Workspace e nas ferramentas de desenvolvimento; a novidade é levá-lo ao consumidor final, no momento em que agentes que executam tarefas do dia a dia deixam de ser experimento de desenvolvedor.

O que dá para fazer

O servidor cobre todo o ecossistema Google Home: campainhas e termostatos Nest, câmeras e qualquer dispositivo "Works with Google Home" ou Matter, como lâmpadas e tomadas inteligentes. Na prática, um agente pode responder "alguém passou na porta hoje à tarde?" lendo o histórico das câmeras, ajustar o termostato antes de você chegar, apagar tudo à noite com uma frase ou gerar, sozinho, um painel em uma página web com o estado dos cômodos — tarefas que hoje exigem rotinas montadas à mão no app ou o Gemini for Home, o assistente que o Google começou a colocar nas caixas de som e telas Nest em outubro de 2025.

A diferença para o Gemini for Home é quem manda: com o MCP, o usuário escolhe o agente. Quem já usa o Claude ou o ChatGPT para organizar a vida pode conectar a casa a ele, em vez de depender do assistente do Google.

Como configurar (e por que não é para todo mundo)

A configuração é de desenvolvedor: é preciso criar um projeto no Google Cloud, habilitar o Home MCP nele, copiar os dados de configuração para o agente escolhido e pedir que ele conclua a conexão — o agente então solicita o login na conta Google e as permissões de acesso. O Google promete um guia passo a passo no Home Developer Center e está colhendo feedback dos primeiros usuários na comunidade Smart Home for Developers. Não há, por enquanto, um botão "conectar" no app do Google Home.

RequisitoDetalhe
AssinaturaGoogle Home Premium Advanced (US$ 20/mês), o plano mais caro, com histórico de vídeo por eventos, buscas no histórico e resumos diários
RegiãoEstados Unidos; sem previsão para outros países ou planos
ConfiguraçãoProjeto no Google Cloud com Home MCP ativado + agente com suporte a MCP
DispositivosNest (câmeras, campainhas, termostatos) e qualquer aparelho Works with Google Home ou Matter
Agentes citadosClaude, ChatGPT, Hermes, OpenClaw, Google Antigravity

Preço e disponibilidade no Brasil

No Brasil, o Google não vende os dispositivos Nest oficialmente e o plano Premium Advanced não é oferecido, então o recurso não está disponível por aqui — mesmo para quem usa o app Google Home com lâmpadas e tomadas Matter de outras marcas. O Google não comentou se e quando o MCP chegará a outros planos ou mercados. Quem quiser experimentar precisará de conta e assinatura americanas, o que também passa por cartão e endereço nos EUA. O caminho mais provável é o mesmo do Gemini for Home: chegar primeiro em inglês e nos EUA e, meses depois, aos demais países — as mudanças recentes nas automações do app, que já afetam usuários brasileiros, mostramos em Google Home alerta sobre automações e ações do celular.

Há uma questão de segurança embutida no anúncio: dar a um agente de IA acesso às câmeras e ao histórico da casa é dar a ele o mapa de quando você está ou não em casa. O Google diz que a conexão é feita com login e permissões explícitas via OAuth, e o fato de a configuração exigir um projeto próprio no Google Cloud funciona, na prática, como filtro — quem chega até lá tende a saber o que está autorizando.