Mark Zuckerberg rejeitou nesta terça-feira (15) os apelos para pausar ou desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial. Em publicação no X, o CEO da Meta afirmou que os mecanismos de mercado e o risco de processos judiciais são as melhores salvaguardas contra os perigos da tecnologia: "As pessoas não vão querer usar agentes que estejam desalinhados com elas e que não façam o que elas pedem, então os laboratórios têm um forte incentivo natural para tornar seus modelos mais alinhados. Qualquer laboratório que não focar no alinhamento ficará para trás", escreveu, segundo a AFP e a Reuters. A fala responde ao artigo publicado no sábado (12) por Dario Amodei, CEO da Anthropic, que pediu ao setor que reserve tempo para alinhar e proteger seus modelos antes de lançá-los, com verificação por avaliadores independentes.

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Neste artigo
  1. O argumento de Zuckerberg: responsabilidade legal já basta
  2. Trump e União Europeia em lados opostos

O debate ganhou temperatura nas últimas semanas por causa de incidentes de segurança e da capacidade recém-demonstrada de modelos de ponta se aprimorarem sem intervenção humana. Dias antes do artigo de Amodei, o pesquisador Jacob Coxon deixou a Anthropic afirmando que "as pessoas que estão construindo IA acreditam que a tecnologia pode acabar com a humanidade até o fim da década". Empresas como OpenAI, Anthropic e Google discutem criar um organismo conjunto para definir normas do setor.

Para o dono da Meta, "todo laboratório tem a responsabilidade e o incentivo para avançar no ritmo necessário para treinar seus modelos de forma segura", e as empresas já "enfrentam uma responsabilidade legal significativa se seus modelos causarem danos". Como prova de que a autorregulação funciona, ele citou o Muse AI, sistema de agentes personalizados da Meta cujo lançamento foi adiado por vários meses para reforçar os mecanismos de segurança: "Não pedimos para que todos os outros fizessem isso antes de nós. Apenas fizemos como parte do nosso trabalho diário".

Zuckerberg também se disse favorável a avaliações independentes — "envolver avaliadores e consultores independentes é a melhor prática da indústria" — e afirmou que a Meta Superintelligence Labs, divisão de IA da empresa, já contrata especialistas externos. Ele pediu "um ecossistema mais amplo e mais diverso de avaliadores". O que ele não aceita é regra que atrase lançamentos: em agosto, disse que "nenhuma norma deveria atrasar o lançamento dos modelos americanos, nem sequer um mês". A Meta prevê investir até US$ 145 bilhões (cerca de R$ 790 bilhões) em infraestrutura de IA neste ano e combate qualquer regulamentação que possa frear o negócio.

Trump e União Europeia em lados opostos

A resposta de Zuckerberg chegou um dia depois de Donald Trump rejeitar propostas de regulação e afirmar, na Truth Social, que "o único controle ou medida de proteção de que a IA precisa é um presidente forte e inteligente, com alto QI". Do outro lado do Atlântico, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu no discurso anual ao Parlamento Europeu uma redução de ritmo e disse que vai convidar os principais laboratórios para discutir medidas: "Os modelos que estão sendo desenvolvidos permitirão ataques de hackers em um nível que nunca imaginamos ser possível, e logo estarão nas mãos de adversários que veem o mundo de maneira muito diferente de nós".

É a segunda vez em um mês que Zuckerberg se coloca contra freios externos: em agosto, ele já havia argumentado que regular demais a IA concentra poder nas mãos de poucos e mata a inovação, como mostramos em Zuckerberg ataca rivais e diz que regular IA demais concentra poder. A novidade agora é o alvo: não um governo, mas um concorrente direto que pede exatamente o que a Meta se recusa a aceitar — tempo. Na mesma semana, Bill Gates defendeu um pacto entre Estados Unidos e China para conter os riscos da tecnologia, sinal de que a divisão sobre a velocidade da IA passou dos reguladores para dentro do próprio Vale do Silício. A Anthropic não respondeu publicamente à publicação de Zuckerberg até a tarde desta terça; a Meta também não comentou além do texto no X. Os dois pontos de vista têm um ponto em comum, os avaliadores independentes — a diferença está em quem decide quando um modelo está pronto: o laboratório, para Zuckerberg; um verificador de fora, para Amodei.