A Samsung vai fabricar cerca de 20% menos celulares da linha Galaxy A no quarto trimestre de 2026, na comparação com o que havia planejado, segundo reportagem do jornal coreano ETNews publicada neste fim de semana. Na conta anual, são aproximadamente 10 milhões de aparelhos a menos da família que responde por 70% dos smartphones que a empresa vende no mundo.

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Neste artigo
  1. O que o ETNews apurou sobre o corte no Galaxy A
  2. Por que a Samsung corta o Galaxy A: memória cara e peças desviadas para a IA
  3. Corte de 30%, 23% ou 20%? Os relatos sobre a produção dos Galaxy
  4. Samsung x Apple: corte no Galaxy A ameaça a liderança mundial
  5. Galaxy A vai ficar mais caro no Brasil? Preço do A36 e do A56 hoje

O corte atinge os modelos que o brasileiro mais compra, do Galaxy A07 ao A57, e a causa é a mesma que já pesa no preço de qualquer celular: a memória encareceu porque os data centers de inteligência artificial compram quase tudo. A Samsung não confirmou nem comentou a informação, e nenhuma das fontes fala em efeito específico no mercado brasileiro. Mas o recado para quem pretende trocar de aparelho é claro: menos unidades fabricadas, com custo maior, raramente combinam com promoção.

O que o ETNews apurou sobre o corte no Galaxy A

A reportagem, assinada pelo repórter Kim Young-ho e publicada na primeira página da edição impressa desta segunda-feira (26), diz que a Samsung Electronics já enviou à sua cadeia de fornecedores um plano de ajuste de volumes para a linha Galaxy A. Uma fonte do setor ouvida pelo jornal afirmou que as encomendas de componentes para o quarto trimestre estão cerca de 20% abaixo do plano de produção traçado no começo do ano, o que, segundo ela, equivale a uma redução de aproximadamente 10 milhões de unidades no ano.

Uma segunda fonte foi mais longe: disse ao ETNews que a divisão de celulares (MX) da Samsung está no vermelho este ano e em alerta, e que a tendência é reduzir a produção da linha Galaxy A em mais de 10% também em 2027. É um plano, não uma decisão anunciada.

A Samsung embarca entre 230 milhões e 240 milhões de smartphones por ano. Com a linha A em 70% disso, são cerca de 160 milhões de aparelhos. Dez milhões a menos parece pouco, mas o corte vale para o último trimestre do ano, o de Black Friday e Natal. A reportagem não diz quais modelos nem quais fábricas serão afetados.

Por que a Samsung corta o Galaxy A: memória cara e peças desviadas para a IA

O ETNews aponta duas causas. A primeira é o que a imprensa coreana passou a chamar de "chipflation": com os data centers de IA disputando capacidade de fabricação de memória, o preço da RAM e do armazenamento subiu tanto que, em celulares de entrada e intermediários, a memória chegou a passar de metade do custo de componentes do aparelho. Em maio, a consultoria TrendForce já havia alertado que a alta nos contratos de memória móvel poderia obrigar as fabricantes a rever metas de produção. Pelos dados da mesma consultoria citados pelo jornal coreano MoneyToday, o módulo LPDDR5X de 12 GB ficou 175% mais caro em um ano.

A segunda causa é menos comentada. Placas de circuito impresso (PCBs) e capacitores cerâmicos (MLCCs), peças presentes em qualquer eletrônico, estão sendo destinadas primeiro aos chips de IA, que dão mais lucro aos fornecedores. Resultado: comprar esses componentes para smartphones ficou mais difícil.

A ironia: a divisão de chips da própria Samsung lucra com a memória para IA, enquanto a de celulares paga mais caro pelo mesmo tipo de peça. Até aqui, segundo o ETNews, a Samsung segurava a produção da linha A graças a condições de compra melhores que as das rivais chinesas. Com a crise se estendendo, a empresa teria decidido concentrar peças e matéria-prima nos Galaxy S e nos dobráveis Galaxy Z, que deixam margem maior por unidade.

Chip de memória LPDDR5X, componente que encareceu com a demanda dos data centers de IA
Reprodução

Corte de 30%, 23% ou 20%? Os relatos sobre a produção dos Galaxy

O número do ETNews não é o primeiro sobre o assunto. Os anteriores eram maiores e mediam coisas diferentes:

QuandoFonteO que dizia
8 e 9/10/2026MoneyToday (Coreia)Samsung pediu a fornecedores de 20% a 30% menos componentes; produção de celulares Galaxy em geral até 30% menor no 4º trimestre
9/10/2026ZDNet KoreaPrevisão mensal da linha caindo de 31,4 milhões para 24,2 milhões de unidades (cerca de 23%); estimativas revistas a cada duas semanas
21/10/2026ZDNet KoreaGalaxy A com tela OLED: meta de 2027 cortada de 120 milhões para 100 milhões de unidades (2026 deve fechar em 110 milhões)
25/10/2026ETNewsGalaxy A: cerca de 20% a menos no 4º trimestre, ~10 milhões de unidades no ano; mais de 10% de corte planejado para 2027

O relato do ETNews é o mais recente e o único que trata só da linha A neste trimestre. Segundo a ZDNet Korea, as memórias mais caras deixaram a produção de cada Galaxy A cerca de US$ 75 mais cara que a dos antecessores, cerca de R$ 370 em conversão direta. O mesmo site afirma que a família A1x, a do Galaxy A17, responde por mais da metade do volume, e que o futuro Galaxy A38 pode reaproveitar o painel do A27, inferior ao do A37 — rumor, sem confirmação da Samsung.

Samsung x Apple: corte no Galaxy A ameaça a liderança mundial

A decisão chama atenção pelo momento. A linha Galaxy A é o motor de volume que mantém a Samsung brigando com a Apple pelo primeiro lugar mundial em embarques de smartphones. Em agosto, a Counterpoint Research projetou que a Samsung terminaria 2026 na frente por apenas 0,1 ponto percentual. Com uma margem desse tamanho, tirar 10 milhões de aparelhos baratos do mercado pode bastar para inverter a posição, avalia o ETNews.

Se o relato estiver certo, a Samsung aceita arriscar o título de quem mais vende para perder menos dinheiro com aparelho de entrada. O SamMobile chega a dizer que a Apple pode ultrapassá-la, uma leitura do site, não da fabricante. O Android Police informou ter procurado a Samsung e, até a publicação desta reportagem, nenhum veículo registrou resposta.

Galaxy A vai ficar mais caro no Brasil? Preço do A36 e do A56 hoje

A consequência para o consumidor aparece no próprio ETNews: fontes do setor avaliam que, com produção menor, o preço de fábrica pode subir, e que aparelhos novos podem chegar com tela ou câmera rebaixada e, ainda assim, mais caros. O SamMobile acrescenta que a Samsung reajustou recentemente preços de celulares de todas as faixas, sem detalhar modelos ou valores.

Galaxy S26 Ultra e Galaxy Z Fold8 vistos de trás, modelos de topo que a Samsung teria priorizado
Divulgação/Samsung (Imagem: reprodução)

Para o Brasil, ninguém afirmou que haverá falta de produto ou aumento. O que dá para ver é que a geração anterior ainda está em queima no varejo. O Galaxy A36, que chegou às lojas por R$ 2.699, apareceu em outubro por cerca de R$ 1.270 a R$ 1.300 no Mercado Livre, com mínima registrada de R$ 1.219. O Galaxy A56, que estreou a R$ 3.499, atingiu R$ 1.998 em abril em grandes varejistas. São preços de loja, não tabela oficial da Samsung.

Quem já planejava comprar um Galaxy A encontra hoje os modelos de 2025 bem abaixo da etiqueta. Não há garantia de que esse estoque dure, nem de que os sucessores do A37 e do A57 cheguem com o mesmo nível de tela e câmera. Só os próximos meses vão mostrar se o corte de mais de 10% em 2027, descrito pelo ETNews, sai do papel. Até lá, vale tratar a alta de preço como risco, não como certeza.