O Vivo Satélite, lançado pela Vivo com a Starlink na segunda-feira (26), já conecta celulares comuns direto aos satélites de Elon Musk em áreas sem sinal, de graça por 12 meses para cerca de 50 milhões de clientes pessoa física. O que quase ninguém contou está no FAQ da operadora: ligação para serviços de emergência e alertas da Defesa Civil não funcionam pelo satélite.

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Neste artigo
  1. Quais planos têm o Vivo Satélite: Controle a partir de 10 GB e pré-pago de R$ 30
  2. O que funciona no Vivo Satélite: WhatsApp e mapas sim, ligação para o 190 não
  3. Como ativar o Vivo Satélite: roaming de dados, céu aberto e celular compatível
  4. Preço do Vivo Satélite: grátis por 12 meses, valor depois ainda não divulgado
  5. Starlink no celular sem exclusividade e a rival AST SpaceMobile na fila

É a primeira oferta comercial de conexão direta entre celular e satélite (D2D) no Brasil, sem antena nem troca de aparelho. Na prática, quem pega estrada, mora na zona rural ou trabalha longe das torres passa a mandar mensagem no WhatsApp e abrir o mapa onde antes o celular mostrava "sem serviço". Mas o benefício tem regra de plano, lista de aparelhos, configuração obrigatória e prazo para acabar, e cada um desses filtros deixa gente de fora.

"Com o Vivo Satélite, os clientes da Vivo passam a ter sinal onde quer que estejam: em rodovias, áreas rurais, remotas ou regiões de difícil acesso ainda não atendidas por infraestrutura terrestre", disse Alex Salgado, diretor de Operações da Vivo, em nota. O primeiro relato do anúncio está em outra reportagem do tekimobile.

Quais planos têm o Vivo Satélite: Controle a partir de 10 GB e pré-pago de R$ 30

A Vivo fala em "determinadas ofertas", e as notas de rodapé da página oficial do Vivo Satélite mostram onde está o corte. No Controle, só entram planos com franquia principal de dados a partir de 10 GB; os planos Vivo Controle, Vivo Controle I, Vivo Controle Pln II e todos os Controle Conectado ficam de fora. No pré-pago, o serviço é ativado e renovado junto com promoções a partir de R$ 30 de saldo.

Tipo de linhaCondição para ter o Vivo SatélitePeríodo sem custo
Vivo Pós e Vivo TotalOfertas elegíveis12 meses
Vivo ControleFranquia principal a partir de 10 GB; exclui Vivo Controle, Controle I, Controle Pln II e Controle Conectado12 meses
Vivo PréPromoção a partir de R$ 30 de saldo; o serviço renova junto com a oferta12 meses
Vivo Lite e Tourist PlanOfertas selecionadas12 meses
EmpresasPlanos elegíveis3 meses
Terminais M2MFora da oferta; pacotes específicos—

Não há cadastro. Segundo a Vivo, ninguém precisa contratar, assinar ou pagar nada para usar: o acesso é liberado para as linhas elegíveis e o uso não desconta da franquia nem dos bônus do plano. Os 50 milhões equivalem a cerca de metade das 105 milhões de linhas móveis da Vivo, segundo o site Mix Vale.

O que funciona no Vivo Satélite: WhatsApp e mapas sim, ligação para o 190 não

Ilustração de um celular fincado no solo lunar, com ícones de mensagens, mapa, chamada, App Vivo, música e áudio na tela
Ilustração gerada por IA/Exame (Imagem: reprodução)

O satélite não entrega internet aberta. A lista oficial de serviços tem WhatsApp (mensagens e chamadas de voz), SMS, MMS, RCS, iMessage, Google Mensagens, Google Maps, Apple Maps e o App Vivo. Ficam bloqueados a ligação comum pela rede celular, a videochamada, qualquer link externo e qualquer aplicativo fora da lista.

O trecho mais sério está em uma linha do FAQ: "As chamadas para serviços de emergência e o recebimento de alertas de Defesa Civil não são suportados enquanto o dispositivo estiver conectado ao Vivo Satélite". Quem se perder numa trilha ou sofrer um acidente numa estrada sem sinal não consegue discar 190, 192 ou 193 pelo satélite. O caminho é mandar mensagem a um contato pelo WhatsApp ou por SMS, com a localização do Google Maps ou do Apple Maps.

A velocidade também pede paciência. As mensagens normalmente saem "em poucos instantes", mas podem atrasar alguns minutos conforme o local, o ambiente e a disponibilidade da rede, segundo a operadora. A chamada de voz pelo WhatsApp tem velocidade limitada, qualidade variável e "pequenas interrupções" causadas pelo movimento dos satélites, que passam a cerca de 550 km de altitude. O próprio Salgado baixa a expectativa: "Nós estamos fazendo uma comunicação consciente para as pessoas não acharem que o D2D terá a mesma qualidade da internet do 5G".

Como ativar o Vivo Satélite: roaming de dados, céu aberto e celular compatível

A conexão é automática, e o aparelho mostra a rede "VIVO STARLINK" no lugar da operadora. Para isso acontecer, a Vivo exige celular 4G/LTE ou superior que esteja na lista oficial de modelos, sistema operacional na versão mais recente, chip 4G, 5G ou eSIM e, o detalhe que mais vai pegar gente, roaming nacional de dados ativado. Se a rede não aparecer sozinha, a operadora orienta desligar a seleção automática de rede e escolher VIVO STARLINK manualmente.

O satélite só entra quando não há nenhum sinal: nem 5G, 4G, 3G ou 2G da Vivo, nem roaming com outra operadora. Em área de sinal fraco, o celular continua na rede terrestre. E ele precisa ver o céu. Prédio, túnel, ambiente fechado e copa de árvore atrapalham ou bloqueiam a conexão; dentro do carro, a carroceria enfraquece o sinal, e a Vivo recomenda deixar o aparelho perto do painel. Uso no exterior ainda não existe: a operadora diz que vem "em breve", sem lista de países.

A Vivo avisa que o serviço vale "somente" para os modelos da sua lista. Alguns aparelhos têm o SAT Mode, que prioriza as funções principais, reduz o consumo de dados e mostra um ícone "SAT" na tela. Uma cartilha interna da Vivo que vazou dois dias antes do lançamento, não confirmada pela operadora, punha iPhone 13 em diante e as linhas Galaxy S23 a S26 com o modo e classificava iPhone 11 e 12 como "não elegíveis", com a ressalva de que podia conter imprecisões. Vale a lista oficial.

Ilustração de satélites de órbita baixa sobre a Terra, com luzes de cidades à noite
Ilustração (Imagem: reprodução)

Preço do Vivo Satélite: grátis por 12 meses, valor depois ainda não divulgado

A Vivo não informou quanto o serviço vai custar quando acabar a gratuidade, nem a data exata em que ela termina; contados do lançamento, os 12 meses vão até outubro de 2027. O FAQ deixa a porta aberta: "As condições do serviço poderão ser alteradas, prorrogadas ou encerradas mediante comunicação prévia aos clientes". Os termos comerciais com a SpaceX são sigilosos.

O serviço roda no ambiente experimental (sandbox) da Anatel para o D2D, com autorização até 22 de abril de 2029. Nesse regime, o uso das frequências é secundário: sem prioridade, e com obrigação de parar se causar interferência em serviço primário.

O Vivo Satélite não tem relação com a internet Starlink de casa. O kit residencial, com antena e roteador, custa R$ 2.400 (Padrão) ou R$ 1.199 (Mini) pelo preço cheio, e os planos começam em R$ 189 por mês, segundo a tabela da Starlink após o reajuste de maio. No celular da Vivo não há kit nem mensalidade da Starlink. Como a operadora afirma que não é preciso pagar nem pedir ativação, qualquer mensagem que cobre taxa, peça código ou mande link para "liberar o Vivo Satélite" é golpe.

O argumento de venda da Vivo é geográfico. A operadora cobre 98% da população, mas, segundo Salgado em entrevista ao NeoFeed, as quatro operadoras somadas alcançam só 21% do território com rede terrestre. "Agora, com esse complemento de cobertura via satélite, chegamos a 100% do território com cobertura outdoor", disse.

A vantagem pode durar pouco. A parceria não tem exclusividade nem prazo definido, e outras operadoras podem fechar com a SpaceX. Na sexta-feira (23), Brisanet, Unifique e Iez! Telecom assinaram acordo com a AST SpaceMobile, que usa a faixa de 700 MHz e ainda depende de licenças da Anatel.

A versão lançada agora é a de entrada. A alta velocidade depende da próxima geração de satélites da Starlink, ainda sem cronograma. "No futuro, o serviço oferecerá conectividade em alta velocidade, por meio da próxima geração da nossa tecnologia", disse Stephanie Bednarek, vice-presidente de Vendas da SpaceX.