A Vivo lançou nesta segunda-feira (26) o Vivo Satélite, serviço que conecta celulares comuns direto aos satélites da Starlink quando não há sinal de rede móvel, sem antena e sem custo por 12 meses para clientes pessoa física. Segundo a operadora, cerca de 50 milhões de clientes, entre pessoas físicas e empresas, já podem usar a conexão.
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Na prática, quem pega estrada, passa o fim de semana no sítio ou faz trilha passa a mandar mensagem pelo WhatsApp e abrir o Google Maps em lugares onde hoje o celular mostra "sem serviço". A Vivo diz que sua rede terrestre alcança 98% da população, e o satélite é para os trechos e regiões que ficam fora dessa cobertura. Há limites que o anúncio deixa em segundo plano: o serviço funciona só com uma lista curta de aplicativos, exige céu aberto e não completa ligações para números de emergência.
Como funciona o Vivo Starlink: conexão direta entre celular e satélite
O Vivo Satélite opera como uma extensão da rede celular. Quando o aparelho perde o sinal de qualquer rede móvel (5G+, 5G, 4G, 3G, 2G ou roaming nacional em outra operadora), ele se conecta sozinho à constelação da Starlink, e a barra de status passa a exibir "VIVO STARLINK". Modelos com SAT Mode mostram ainda um ícone de satélite ou "SAT" e priorizam as funções principais para gastar menos dados.
A tecnologia por trás é a Direct to Cell da SpaceX, que trata cada satélite como uma torre de celular no espaço. Ela usa parte do espectro da operadora parceira e hoje se baseia em 4G/LTE, segundo a Starlink, e por isso dispensa hardware extra no celular. A Vivo avisa que a conexão depende de área aberta e boa visibilidade do céu, e que túneis, prédios e outros obstáculos podem impedir o sinal. Dentro do carro ele enfraquece, e a recomendação oficial é deixar o celular perto do painel. O serviço funciona em movimento, com desempenho variável, e uma mensagem que costuma sair em instantes pode levar alguns minutos.
"Com o Vivo Satélite, os clientes da Vivo passam a ter sinal onde quer que estejam: em rodovias, áreas rurais, remotas ou regiões de difícil acesso ainda não atendidas por infraestrutura terrestre", afirmou Alex Salgado, COO da Vivo, no anúncio.
Quais aplicativos funcionam no Vivo Starlink e o que fica de fora
A lista oficial tem nove itens: WhatsApp (mensagens e chamadas de voz), SMS, MMS, RCS, Google Mensagens, iMessage, Google Maps, Apple Maps e o App Vivo. O tráfego desses serviços não consome a franquia nem o bônus de dados do plano. É menos do que a própria Starlink diz oferecer em alguns mercados, onde afirma suportar dados em mais de 40 aplicativos.
Ficam de fora a chamada de voz tradicional da operadora, as chamadas de vídeo, o acesso a links externos e qualquer app que não esteja na lista. Mesmo a ligação pelo WhatsApp vem com ressalva: a Vivo diz que ela "poderá" estar disponível, com velocidade limitada, qualidade variável e pequenas interrupções causadas pelo movimento dos satélites.
O ponto mais sensível está escondido nas perguntas frequentes do site. "As chamadas para serviços de emergência e o recebimento de alertas de Defesa Civil não são suportados enquanto o dispositivo estiver conectado ao Vivo Satélite", informa a operadora. Quem se perder numa trilha pode conseguir mandar mensagem a um parente pelo WhatsApp, mas não deve contar com uma ligação para 190, 192 ou 193 pela rede satelital.

Planos, celulares compatíveis e como ativar o Vivo Starlink
A gratuidade vale para linhas elegíveis, e a elegibilidade muda conforme o plano. No Controle, a regra é a mais restritiva: só entram ofertas com franquia principal a partir de 10 GB. A Vivo orienta conferir no App Vivo se a sua linha está incluída.
| Tipo de linha | Situação no Vivo Satélite |
|---|---|
| Pós-Pago | Determinadas ofertas incluídas |
| Controle | Só com franquia principal a partir de 10 GB; ficam de fora Vivo Controle, Controle I, Controle Pln II e todos os Controle Conectado |
| Pré-Pago | Ativado e renovado em promoções a partir de R$ 30, junto com a franquia da oferta Vivo Pré |
| Vivo Lite e Tourist Plan | Incluídos |
| Empresarial | Incluído, com gratuidade de 3 meses |
| Terminais M2M | Pacotes específicos, ainda sem detalhes |
No aparelho, as exigências são quatro: smartphone 4G/LTE ou superior da lista da Vivo, sistema operacional na versão mais recente, roaming nacional de dados ativado e chip 4G/5G ou eSIM. Quem tem chip antigo e celular com suporte a eSIM pode migrar para um eSIM Vivo. Entre as marcas com aparelhos compatíveis estão Apple, Samsung, Motorola, Huawei, Xiaomi, Asus, Oppo e Jovi, entre outras, mas a Vivo afirma que o serviço é compatível "somente com os modelos que estão na lista", que pode ganhar novos aparelhos. A lista completa fica numa página da operadora e não dá para afirmar que um modelo específico funciona sem consultá-la. Na loja online da Vivo, a seção de aparelhos compatíveis destaca o Galaxy S26 de 256 GB (R$ 4.859,10 à vista), o Motorola Edge 70 de 512 GB (R$ 4.319,10) e o Galaxy A27 de 256 GB (R$ 2.159,10).
O passo que mais pode travar é o roaming nacional de dados: ele precisa estar ativado para o aparelho usar a rede satelital. O caminho muda conforme o celular, segundo a Vivo:
- Android Samsung e similares: Configurações > Conexões > Redes móveis > Roaming de dados.
- Android Motorola e outros: Configurações > Rede e Internet > Rede móvel > Roaming.
- iPhone: Ajustes > Celular > Opções de Dados Celulares > Roaming de Dados.
Se o celular não se conectar sozinho, a conexão pode ser feita à mão, mas a opção só aparece onde não há sinal móvel. No Android, entre em Configurações, abra a seleção de operadora na área de rede móvel, desative a seleção automática, aguarde a busca e escolha "VIVO STARLINK". No iPhone, o caminho é Ajustes > Celular > Seleção de Rede, com o modo Automático desligado. Os menus variam por fabricante.
Preço e disponibilidade
O serviço já está disponível. Pessoas físicas têm 12 meses sem custo e clientes empresariais, 3 meses. "O serviço será disponibilizado aos clientes elegíveis durante o período promocional da oferta, sem cobrança adicional", diz a Vivo, que não informou quanto vai cobrar depois disso. A operadora também se reserva o direito de alterar, prorrogar ou encerrar as condições "mediante comunicação prévia".
Planos de vitrine no site da Vivo já trazem o serviço incluído, caso do Vivo Total Ultra com fibra de 700 Mega e 100 GB no celular (R$ 170 por mês) e do Vivo Pós com Amazon Prime de 60 GB (R$ 150 por mês). O uso fora do Brasil aparece como "em breve", sem lista de países.
O Vivo Satélite não tem relação com a antena residencial da Starlink, vendida à parte para levar banda larga a casas e empresas. Antes do anúncio, circulou o boato de que a Starlink daria internet gratuita no Brasil; o que existe é uma gratuidade temporária, restrita a clientes Vivo e a poucos aplicativos.
Testes na Anatel, concorrência e a próxima geração de satélites
O lançamento veio depois de a Anatel autorizar a Telefônica Brasil, dona da Vivo, a testar a tecnologia direct-to-device em caráter experimental, com permissão válida até abril de 2029. A Vivo se apresenta agora como "a única com tecnologia da Starlink" entre as operadoras do país. A Claro vende internet via satélite, mas com antena e para empresas, em planos de R$ 795,90 e R$ 849,71 por mês.
A SpaceX tem cerca de 11 mil satélites em órbita, segundo o astrônomo Jonathan McDowell em dados citados pela CNBC, e a FCC, agência reguladora dos Estados Unidos, autorizou até 15 mil satélites de nova geração voltados à conexão direta com celulares. A SpaceX trabalha numa geração compatível com 5G, e é dos satélites de nova geração que depende a próxima etapa do serviço. Stephanie Bednarek, vice-presidente de vendas da SpaceX, afirmou que a parceria levará mensagens e aplicativos selecionados a milhões de pessoas no Brasil e que a nova geração deve trazer conexão de alta velocidade. A Vivo prevê novos recursos quando esses satélites entrarem em operação, mas nenhuma das duas empresas deu data, velocidade ou preço para essa fase.




